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Educar o investidor é o desafio da indústria de fundos


 

A missão da indústria hoje é mostrar ao público que produtos de investimento com maior risco são mais rentáveis a longo prazo, concluíram os participantes do primeiro painel do 7º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, realizado hoje e amanhã em São Paulo.

No painel “Os desafios da indústria de fundos de investimento no Brasil: novos caminhos em busca de performance”, Demosthenes Pinho Neto, CEO da Brasil Warrant Investimentos, definiu como “impressionante” a preferência do investidor brasileiro por produtos de liquidez de curto prazo. “É um caldo de cultura que vamos ter que conviver nos próximos anos,” disse Pinho Neto. “E temos que fazer isso com cuidado.”

Historicamente, os investidores brasileiros preferiram concentrar seus investimentos em aplicações de curto prazo e liquidez imediata devido ao cenário instável da economia causado por crises e alta inflação. Recentemente, a redução das taxas de juros, comandada pelo Banco Central do Brasil, reduziu a rentabilidade dos investimentos de curto prazo para quase zero.

Diante deste novo cenário, o caminho para a indústria é alongar as carteiras de activos que compõem os fundos, diversificar a oferta de produtos e proporcionar mais transparência sobre sua gestão, diz Pinho Neto. Novas classes de activos ganham importância no país, como os fundos imobiliários e os fundos private equity. “São categorias bem-vindas, mas não são fundos de liquidez [imediata]. Os investidores terão que tomar mais riscos,” diz Pinho Neto.

Gustavo Murgel, vice-presidente da ANBIMA e CEO do Itaú Asset Management, destaca o grau do desafio dos gestores de fundos: “nós temos um mandato dos investidores. E em 91% dos casos, esse mandato é de apenas um dia,” disse Murgel, referindo-se à preferência pelos fundos de curto prazo.

Um entrave para os gestores dos fundos alongarem a rendibilidade de suas carteiras é lidar com a falta de um mercado secundário de debêntures (títulos de dívidas de empresas) desenvolvido. “A falta do mercado secundário é um complicador para a indústria”, Alberto Elias, vice-presidente do BNY Mellon no Brasil.

Carlos Ambrósio, director da ANBIMA e CEO da Claritas Investimentos, defendeu que a missão da indústria é trabalhar olhando mais para o investidor do que para seus próprios produtos. Por exemplo, detectando qual parcela de capital o investidor destina para produtos de maior taxa de risco.

A indústria brasileira de fundos já tem experiência consolidada na gestão de activos líquidos, de curto prazo, e o que falta é desenvolver “activos não tão líquidos,” afirmou Pinho Neto. Em relação aos fundos de private equity, o investidor que opta por esse activo já sabe que este é um investimento de longo prazo, acima de seis anos, enquanto os fundos imobiliários são associados à solidez, o que pode ser uma ilusão, diz Pinho Neto. “Cabe à indústria fazer o papel de educador, sob pena de assistirmos alguns sustos no futuro.”

Para alongar os prazos dos investimentos é preciso uma combinação de conhecimento, auto-regulação, entendimento do perfil do investidor e paciência, afirmou Murgel. “Nós temos a responsabilidade de educar os investidores. Isso pode parecer paternalista, mas é a nossa função,” disse o CEO do Itaú Asset Management.

 

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