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Economia portuguesa supera valores do BBVA Research e cresce 1% no primeiro trimestre do ano


Segundo dados da equipa de Research do BBVA, para Portugal, “o ritmo de crescimento da economia portuguesa durante o primeiro trimestre de 2017 acelerou até alcançar 1,0% trimestralmente, ultrapassando a estimativa do BBVA Research (0,2%)”.

A equipa de research acredita que esse crescimento trimestral se deveu à contribuição positiva do setor externo (0,8 pp), “dada a força que as exportações voltaram a mostrar num ambiente de desaceleração das importações. Em consonância com o esperado, o consumo privado avançou menos do que em trimestres anteriores, enquanto o investimento caiu, após o forte crescimento do quarto trimestre de 2016. O resultado foi uma pobre contribuição da procura interna para o crescimento.”

No Observatório Económico para o nosso país, o BBVA Research prevê um crescimento de cerca de 0,5% no segundo trimestre do ano. Valor esse abaixo do que foi observado nos trimestres anteriores, “resultado da continuação do bom desempenho das exportações, da progressiva moderação que se espera da variação no consumo privado e da previsível recuperação do crescimento das importações”.

Posto isto, é provável que o crescimento para o conjunto de 2017 venha a superar as previsões de consenso da entidade (1,7%) e se situe entre os 2,0% e os 2,5%.

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Influência do investimento no crescimento trimestral

O crescimento do primeiro trimestre de 2017 obteve 0,2 pp devido à procura nacional, uma contribuição muito inferior à do quarto trimestre de 2016 (1,6 pp). Essa redução deveu-se ao ajuste em termos trimestrais do investimento, “cujo crescimento no quarto trimestre de 2017 (+6,0% face ao trimestre anterior) em parte foi transitório e registou uma queda de 2,0% no primeiro trimestre de 2017 (5,5% face ao período homólogo)”.

Por outro lado, verificou-se um aumento do consumo privado de 0,8% (2,2% em termos homólogos), algo que, embora represente um menor avanço do que foi observado no quarto trimestre de 2016, melhora as expectativas que faziam prever uma maior desaceleração (0,2% face ao trimestre anterior e 1,6% em termos homólogos).

Por último, o consumo público continua a manter-se estável (0,0% trimestrais, -0,4% em termos homólogos), “condicionado pela continuidade do processo de redução do défice público”.

Segundo trimestre: o crescimento poder-se-á estabilizar em cerca de 0,5% no trimestre

Os poucos dados ainda conhecidos do segundo trimestre do ano, referentes a abril, assim como uma a previsão de que parte dos suportes do crescimento do primeiro trimestre de 2017, “apontam para uma estabilização do crescimento em taxas próximas dos 0,5% trimestralmente nos próximos trimestres”.

As vendas a retalho, os Indicadores Coincidentes de Atividade e Consumo de abril e os Indicadores de Confiança elaborados pela Comissão Europeia mantêm a tendência de melhoria e elevam os seus saldos, tanto no consumo, como no sentimento económico ou comércio externo.

No que diz respeito ao setor externo português, espera-se uma posição estável das exportações e a continuação da contribuição para o crescimento do segundo trimestre deste ano. “Isto é consequência da continuidade de um ambiente positivo na Europa, e da manutenção da perceção de insegurança em alguns dos destinos concorrentes do setor turístico português”.

Por sua vez, e dado o crescimento especialmente reduzidos das importações durante o primeiro trimestre do ano, espera-se uma reversão deste comportamento no segundo trimestre, “o que reduziria, ou até poderia chegar a tornar negativa, a contribuição do setor exterior para o crescimento do PIB face ao próximo trimestre”.

Resumindo, o maior crescimento esperado das importações, juntamente com a debilidade que o investimento continua a mostrar, são os principais motivos para a desaceleração da previsão de crescimento até uma taxa próxima de 0,5% trimestralmente no segundo trimestre de 2017. “Em qualquer caso, o efeito do forte crescimento já observado no primeiro trimestre do ano, assim como a boa evolução das exportações elevam o desvio positivo sobre a previsão para o conjunto de 2017 que poderia chegar a situar-se em cerca de 2,0-2,5% em termos homólogos”.

Comércio global impulsiona aumento das exportações

A procura externa líquida voltou a contribuir positivamente para o crescimento trimestral do primeiro trimestre de 2017 (0,8 pp), depois de ter drenado quase 1 pp para o crescimento do quarto trimestre de 2016.

O avanço inferior das importações (1,2% trimestrais e 8,0% em termos homólogos) favoreceu o crescimento das exportações durante o primeiro trimestre do ano (3,0% trimestrais e 9,7% em termos homólogos). Tal facto deve-se ao aumento observado na economia mundial, “particularmente em países emergentes e em alguns dos principais parceiros comerciais da economia portuguesa”.

 

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