É uma boa altura para convertíveis?


Com os fundos globais a apresentarem rendibilidades anuais até à data na ordem dos 6-10% e uma baixa volatilidade (4,6%), as obrigações convertíveis constituem um dos segmentos mais fortes do mercado tanto em desempenho absoluto como ajustado ao risco, assim consideram no Deutsche Asset & Wealth Management.

Este cenário positivo coloca uma classe de activos relativamente pequena no centro das atenções de muitos investidores, numa altura em que as rendibilidades de produtos de obrigações tradicionais são baixas e os mercados accionistas estão bastante voláteis (por exemplo, a recente variação 'intraday' negativa de 9% no Nikkei pressionado pelos dados mais fracos da China). Como é óbvio, a principal preocupação destes investidores é: "não será demasiado tarde?". A versão curta da resposta é "Não"; já a versão longa requer uma explicação prévia sobre a dinâmica muito própria deste pequeno mercado, dizem na entidade alemã.

"É importante compreender a natureza do investimento: considerando a parte mais simples ('vanilla') do universo de convertíveis composta pelas estruturas convertíveis mais comuns, o investidor final está, na verdade, a comprar uma exposição assimétrica a longo prazo ao mercado acionista, ao mesmo tempo que beneficia da distribuição de cupões convencional e do efeito de estreitamento de ‘spreads’ do investidor de produtos de rendimento fixo tradicionais. É importante sublinhar que, ao contrário de uma simples estratégia de opções de compra que normalmente favorece um horizonte de investimento de (muito) curto prazo até doze meses, o investidor em convertíveis deve ter em vista um horizonte típico de três a sete anos. Nesse sentido, a questão dos momentos de entrada e recente evolução das acções deve ser ponderada sob uma perspectiva de mais longo prazo", explicam.

O maior risco desta classe de activos é o risco de liquidez: uma vez que a classe de activos é relativamente pequena, a dinâmica da oferta e da procura deve ser um factor a considerar na decisão de investimento. Em termos comparativos, as obrigações convertíveis são ligeiramente mais líquidas do que as obrigações globais de alto risco (high yield), propiciando assim um estilo mais estável de estratégia de investimento com vista a gerar as melhores rendibilidades.

A emissão primária de obrigações convertíveis melhorou significativamente desde finais de 2012, aproximando-se do nível anterior à crise (por exemplo de 2005), quando o mercado estava a terminar um ciclo de quatro anos de valorizações invertidas, em que as rendibilidades das convertíveis eram superiores às dos produtos de obrigações tradicionais, funcionando como um forte dissuasor para as empresas que procuravam financiamento externo. Esta melhoria do lado da oferta foi bem recebida pelo mercado e gerou uma maior procura por parte dos investidores institucionais, contribuindo, em última análise, para melhorar as condições de liquidez do mercado.

Concluindo, a versão longa da resposta será: "Nunca é demasiado tarde para investir em convertíveis desde que se tenha uma visão de longo prazo e, mais concretamente, o momento é favorável porque as condições de liquidez estão a melhorar", afirmam os analistas do Deutsche Asset & Wealth Management.

Porém, o mais difícil poderá ser conseguir o apoio necessário para entrar nesta classe de activos, já que é complicado fazer investimentos individuais em virtude da dinâmica peculiar deste mercado. Como não existe um fundo global ETF nesta classe de activos (e provavelmente nunca existirá por uma questão de custos de negociação), a maior parte dos investidores institucionais investia em convertíveis através de contas segregadas em correctores ou de fundos de investimento. A primeira modalidade era, de longe, o método mais comum até 2008, visto que os mandatos personalizados só de convertíveis permitiam ajustar a visão a longo prazo do investidor à realidade dos investimentos. Infelizmente, a estrutura de mandato implicava que fosse o investidor a assumir o risco de liquidez no momento da liquidação. Por essa razão, depois de 2008, a maior parte dos grandes investidores institucionais optou por mudar para fundos de investimento globais do segmento de retalho, de modo a ter acesso a uma liquidez diária. Infelizmente, os fundos de investimento estavam concebidos para servir, preferencialmente, investidores do segmento de retalho que investem em diferentes activos e a curto prazo, o que criou um desfasamento entre estes dois perfis de investidores.

Neste contexto, "o fundo de investimento DWS Invest Convertibles tem características verdadeiramente únicas": estruturado de forma idêntica a um mandato, com notações médias mínimas equivalentes a ‘investment grade’, compõe-se exclusivamente de obrigações convertíveis do tipo 'vanilla', ao mesmo tempo que oferece níveis elevados de liquidez, adequados aos grandes investidores institucionais. Com uma abordagem de investimento determinada pelo risco/rendibilidade, e não por um índice de referência, este fundo poderá preencher a lacuna criada pela escassez de fundos de investimento dedicados a alocadores de activos.»

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