E se a sua forma de investir refletisse a sua forma de pensar?


Investir com os nossos valores em mente. É para esse  sentido que a questão colocada no título nos remete, levando-nos a refletir se as nossas convicções morais estão representadas em todas as facetas da nossa vida, inclusive onde aplicamos o nosso património.

Foi com este ponto de partida que a Santander Asset Management realizou no passado dia 25 de novembro o Fórum de Investimento Sustentável e Responsável, com o objetivo de incentivar os seus clientes a alinhar a sua filosofia de investimentos com uma mentalidade mais “verde”. O Fórum contou com a participação das entidades gestoras Allianz Global Investors, BlackRock, Degroof Petercam Asset Management e DWS, que expuseram a metodologia de inclusão de investimento sustentável nas suas estratégias.

Green e Social Bonds

Uma das estratégias de investimento “verde” discutidas foi a incorporação em carteira de green bonds, classificadas por Carmen Borondo (à esquerda na foto), green bonds expert na Santander Asset Management, como “únicas no mundo dos investimentos”. Essencialmente, as green bonds “estão especificamente concebidas para financiar projetos low-carbon, tais como projetos de eficiência energética ou edifícios sustentáveis”. Santander Asset Management ISR mesa redonda 1

Como em qualquer processo de investimento, a seleção sobre que green bonds incluir em carteira está sujeita a uma análise cuidada e criteriosa. Na Allianz GI, segundo descreve Hervé Dejonghe, CFA, à direita na foto este tipo de decisões “assenta em três pilares fundamentais: cumprimento dos Green Bond Principles, a natureza dos projetos elegíveis, e uma análise qualitativa da obrigação”. A conjugação de princípios sustentáveis com indicadores financeiros quantitativos faz com que a escolha de um título “verde” seja consistente com o quadro de valores e operações do seu emitente, sem comprometer a rendibilidade.

Esta forma de avaliar e olhar os investimentos sustentáveis é apoiada por Amparo Ruiz Campo, da Degroof Petercam Asset Management. Nas palavras da country head de Espanha e América Latina “a incorporação de fatores financeiros e extrafinanceiros é uma situação win-win”, afirma, relembrando que “este ano os fundos de investimento sustentável, tanto de ações como de fixed income, foram uma mais-valia por estarem protegidos no downside”.

Investimento Sustentável: um mundo de oportunidades

Santander Asset Management ISR mesa redonda 2Nas palavras de Cristina Rodriguez Iza (à esquerda), diretora de Global Multi Asset Solutions na Santander Asset Management Espanha, atualmente, “investir de forma sustentável já não é uma opção, mas sim um dever” que se estende a todos os investidores e em todas as classes de ativos. Por isso, esta mentalidade abrange outros investimentos e critérios cujo caráter não é intrinsecamente “verde”.

Um exemplo paradigmático é dado por Mariano Arenillas (à direita), diretor geral da DWS Ibéria, que escolhe os critérios “social e de governance como aqueles que hoje nos dão uma perspetiva sobre uma empresa que outrora não era tida em conta”. Ao considerá-los na sua análise, o investidor terá “uma visão mais detalhada sobre o posicionamento da empresa em termos de ESG, permitindo-lhe tomar decisões mais informadas”.

Esta mentalidade é reforçada por André Themudo, responsável pela Wealth Ibéria na Blackrock. “Investir com base em critérios ESG não é uma tendência”, afirma, referindo que “hoje, o montante investido em empresas com critérios ESG ultrapassa os 30 biliões de dólares, e tem-se assistido a um crescimento destas aplicações em mais de 60% nos últimos 5 anos”.

André Themudo acrescenta ainda que “há 20 ou 30 anos, quando se investia em aplicações ESG, sacrificava-se o valor pelos valores”, mas que hoje esse já não é caso e, inclusive, “se consegue mitigar alguns riscos, como é o caso do tail risk, através destes investimentos”. Por fim, o responsável pelo desenvolvimento de negócio da BlackRock em Portugal coloca a ênfase do seu discurso no tema central do fórum: “se incorporamos fatores ESG na nossa vida, porque não o fazemos nas soluções de investimento?”.

No rescaldo, Joaquim Calça e Pina, CEO da SAM Portugal, afirmou que “o evento teve um enorme sucesso e os participantes ficaram muito satisfeitos com este tipo de iniciativa, na promoção e esclarecimento do ISR (Investimento Socialmente Responsável) ”.

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