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... e esta será a reação no caso dos britânicos decidirem permanecer na UE


O que ocorrerá aos mercados financeiros, no caso da vitória dos partidários da permanência do Reino Unido na União Europeia? Se assim acontecer, o consenso espera um rally nos mercados financeiros, que deverá servir de impulso para os ativos de risco, para uma apreciação da libra e um aumento das yields das obrigações, em resultado de um reversão da tendência de procura pela segurança em ativos refúgio.

Será um comportamento muito semelhante ao antecipado pelos investidores esta semana, quando as bolsas subiram em força, a libra se apreciou - a libra experienciou a maior apreciação desde 2008 – e o preço das obrigações consideradas seguras, caiu. “O mercado revelou-se muito binário. Um movimento das sondagens no sentido do Brexit poderá provocar uma queda de yields ainda maior, enquanto que qualquer sinal de permanência na UE poderá gerar uma significativa subida das rentabilidades”, assegura Tanguy Le Saout, gestor de fixed income da Pioneer Investments. Dierk Brandenburg, analista sénior de dívida pública na Fidelity, acredita que as expectativas de cortes de taxas de juro recuariam significativamente, o que pressionaria em alta as yields no curto-prazo. “Também poderíamos ver uma diminuição dos prémios de risco das obrigações e ações da periferia da Zona Euro”, asseguram da NN Investment Partners.

Nas ações, Léon Cornelissen, economista chefe da Robeco, antecipa um rally dos mercados no Reino Unido no caso dos britânicos abraçarem a opção de continuar a fazer parte da União Europeia. Neil Dwane, estratega global da Allianz Global Investors, vai mais longe e aposta numa recuperação das empresas domésticas do Reino Unido, as quais sofreram especialmente em 2016 com o risco de Brexit. O mercado britânico liderará a recuperação das bolsas europeias, que também se verão favorecidas pelo triunfo do Bremain. A periferia europeia também verá uma melhor rentabilidade em caso de ganhar o voto pela permanecência, tanto nas obrigações como nas ações”, explica Steen Jakobsen, economista chefe do Saxo Bank.

No mercado britânico, o sector financeiro também experimentará um significativa recuperação bolsista. “O Barclays e HSBC são muito sensíveis ao Brexit devido ao facto da sua regulação estar baseada nas leis da União Europeia. Portanto, os bancos do Reino Unido sairão beneficiados se os britânicos votarem a favor do Bremain e não tanto devido à exposição à UE, ao nível das receitas”, afirma Peter Garnry, chefe de estratégia em ações no Saxo Bank. A realidade é que a maioria das empresas britânicas não parece estar a contemplar seriamente a possibilidade de um futuro fora da UE. Um relatório elaborado para o Financial Times pela ICSA, antecipou que as empresas não estão 100% preparadas para uma saída da UE, já que somente 49% das empresas sondadas consideraram seriamente as repercussões de tal cenário para o seu negócio. Além disso, 40% dos inquiridos pelo Institute of Directors disseram que não estavam nada ou quase nada preparados para uma saída. 

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