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... e em Itália e no orçamento para 2019


(O 'Esta semana vou estar de olho em...' desta semana é da autoria de Paulo Joaquim, fund manager da GNB Gestão de Ativos)

Após um período de alguma antecipação, no final de setembro foi dado a conhecer o primeiro draft do orçamento italiano, resultado do acordo alcançado entre os membros da coligação reinante, e que acordou um défice orçamental de 2,4% do PIB em 2019, valor a ser mantido até ao orçamento de 2021. Nas semanas anteriores assistimos a várias declarações do ministro das finanças italiano Giovanni Tria a defender um défice no intervalo 1,6% a 2%, aceitando ainda assim a possibilidade de algum desvio em relação ao valor pretendido pela UE de cerca de 1,7%, em linha com os valores necessários para equilibrar o défice estrutural segundo as regras da UE.

A surpresa negativa por parte dos investidores materializou-se num dia fortemente negativo, a encerrar o mês de setembro, com a dívida italiana a alargar mais de 30 bps nos 10 anos e a transacionar de novo acima dos 3%, e com este sentimento negativo a estender-se ao início de outubro.

Ainda não são conhecidos os detalhes do documento, que deverá entretanto ser discutido no parlamento italiano para de seguida ser enviado para escrutínio pela UE, mas reconhecendo o historial recente do atual governo italiano, que passa de momentos de radicalismo para de seguida oferecer algumas concessões, muito provavelmente o formato final a apresentar deverá ser diferente do que atualmente tão preocupa os investidores.      

Mais do que o valor, já que vários países apresentam défices superiores, o que aparentemente o mercado receia é a postura confrontacional do governo italiano e até que ponto estão dispostos a cair num cenário em que a União Europeia apresente uma posição de força face à sua proposta orçamental, ou talvez ainda mais importante a possibilidade de reações mais agressivas por parte das agências de rating. Ainda é cedo para saber as possíveis repercussões deste processo mas na opinião de muitos estamos à beira de mais um teste à solidez da UE, com a importante ressalva que desta feita estamos a falar da terceira maior economia da Zona Euro.

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