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Due Diligence na seleção de fundos


Subordinado ao tema "Asset Owners: New Trends in Manager Selection and Performance Evaluation", o  CFA Institute e a CFA Society Portugal organizaram recentemente um pequeno debate onde se abordaram vários temas ligados à seleção de fundos.

Em debate estiveram João Pina Pereira, board member da GNB GA, João Caiano, CFA, executive partner da Task Wealth Management, Cristina Brízido, CFA, head of investments na Caixagest e Inês Correia de Oliveira, director e head of fund selection, da Wealth Management Unit do Millennium BCP. A moderação ficou a cargo de João Andrade, CIPM, senior investment analyst, da Mercer.

Hoje mostramos-lhe uma das questões abordadas no debate.

Como é que colocam em prática a due diligence na vossa organização?

Cristina Brízido – No caso da Caixagest, a equipa de seleção de fundos está especializada em dois tipos de due-diligence: o que realizamos para as classes de ativos tradicionais e o due-diligence efetuado para as classes de investimentos alternativos ilíquidos como imobiliário, infraestruturas e private equity. No primeiro caso, o due diligence realizado segue as linhas das melhores práticas na indústria envolvendo uma componente quantitativa e outra qualitativa. No segundo caso, há 10 anos iniciámos o desenvolvimento de competências em investimentos alternativos, investindo em infraestruturas, private equity e imobiliário internacional. Foi muito desafiante desenvolver diferentes ferramentas de due diligence para selecionar e monitorizar gestores que, naquela data, não dispunham de track record, sendo também difícil estabelecer um peer-group e não existindo um benchmark aceite globalmente. Comparativamente com as classes de ativos tradicionais, nestes casos não existem condições de liquidez que permitem a venda dos ativos caso algo corra mal já que o horizonte temporal de investimento em causa é, no mínimo, de 10 anos. Revestem-se, assim, de particular relevância a estrutura da sociedade gestora, o know-how específico da equipa de gestão, bem como a estrutura de comissionamento aplicada.

João Pina Pereira – No nosso caso não temos uma equipa específica dedicada aos investimentos alternativos, mas temos uma equipa dedicada aos fundos de investimento tradicionais, aos quais aplicamos um processo quantitativo e qualitativo. A questão da liquidez é por exemplo uma das mais importantes para nós. Em primeira análise tentamos ter os fundos de investimento com um montante mínimo de NAV, enquanto que, em segundo lugar, tentamos investir em fundos com liquidez diária, também para termos essa opção de desinvestirmos quando assim o decidirmos.

Inês Oliveira – Eu diria que o nosso processo é bastante standard: é composto por uma análise quantitativa do universo elegível e uma análise qualitativa para eleger o “melhor”. O ponto de partida é importantíssimo: qual é o objetivo da seleção e o que pretendemos. Depois, o universo de pesquisa também tem que ser bem definido para que nenhum fundo elegível fique fora da análise. No nosso caso, procuramos fundos com boa correlação com os benchmarks de referência das nossas carteiras, com um processo de investimento fundamental e entendível, com uma equipa experiente e estável, e com retornos líquidos, ajustados ao risco, acima dos benchmarks e consistentes ao longo das várias fases do ciclo económico. Para isso, é feita uma DD detalhada a uma short list de fundos que satisfazem os nossos critérios, que inclui, no final, uma reunião (conference call, na maior parte dos casos) com algum elemento da equipa de gestão, para que se possa comprovar que a informação escrita é coerente com o discurso do gestor. No final, selecionamos aquele que nos oferece mais confiança e garantia de que possamos ser investidores de longo prazo.

João Caiano – Claro que todos nós gostamos de ser “leais” relativamente a um gestor, mas por vezes é difícil, principalmente quando existem surpresas, nomeadamente comportamentos que não estamos de todo à espera. No nosso caso, sermos uma entidade pequena dá-nos oportunidade de olhar para gestoras de nicho, ou seja, gestoras com dimensões mais pequenas, que se dedicam muitas vezes apenas uma determinada classe de activos ou mesmo sub-classe. Seguir os gestores, as estatísticas, a performance, etc., é fundamental para nós. Usamos principalmente uma análise quantitativa, de forma a perceber o comportamento das estratégias e de forma a evitar surpresas no processo.

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