Draghi confirma o programa de compra de dívida impulsionando os mercados


Em contraste à decepção provocada entre investidores e gestores perante a ausência de medidas tomadas na reunião de princípios de Agosto, Mario Draghi cumpriu hoje o objectivo ao confirmar o avanço do plano de compra de dívida dos países com problemas, apesar da oposição demonstrada pelo Bundesbank. As atenções estão agora voltadas para as condições nas quais isso poderá ocorrer.

Embora o presidente do Banco Central Europeu (BCE) tenha iniciado a reunião com o anúncio da manutenção das taxas de juro em 0,75%, confirmou imediatamente, e sem estabelecer limites, o esperado programa de compra de dívida centrado no mercado secundário e nas emissões até três anos de duração, com o que pretende pôr termo à distorção dos mercados.

Além disso, renunciou a prioridade de cobrança por parte do BCE e acompanhou com uma mensagem repetida de defesa e irreversibilidade do euro, recebida positivamente pelos investidores. Tudo isto, sempre que o país que queira ser ajudado peça primeiro o resgate. Estes viram cumpridas as suas expectativas tendo originado positivas reacções nas bolsas europeias, com Espanha e Itália a subir quase 4%. O índice português fechou a valorizar 2,43% e a taxa de juro das obrigações portuguesas a cinco anos é de 6,592% o que representa uma descida de 50,9 pontos base enquanto que a dois anos, a 'yield' fica nos 4,772% o que significa uma queda de 6,6 pontos base. Portugal foi assim o país onde o impacto das declarações de Mário Draghi foi mais evidente tendo as 'yields' atingindo novos mínimos desde inicio de 2011.

Na reunião do BCE, Draghi mencionou dois dados negativos: em primeiro lugar, disse que a deterioração da economia se manterá, baixando as perspectivas de crescimento europeu para 2012, com uma previsão de queda de 0,4%, frente aos 0,1% esperados anteriormente.


Para além disso, espera uma taxa de inflação entre os 2,4% e os 2,6% para 2012 e entre os 1,3% e 2,5% para 2013, ligeiramente acima das previsões de Junho.

No entanto, apesar do menor crescimento e maior inflação, os investidores ficaram com a mensagem positiva: o BCE comprará divida a curto prazo, centrando-se nas emissões de mercado secundário com vencimento entre um e três anos, sem estabelecer limite algum à quantia. A ideia é que, enquanto o BCE actua no mercado secundário, os fundos de resgate europeus "atacam" o primário.

O presidente confirmou também que imporá condições "estritas" aos governos que pedem ajuda aos fundos de resgate, advertindo de que estes deverão estar preparados para pedir o resgate. Após este anúncio, a interpretação é que são estes que devem dar o primeiro passo e pedir ajuda.

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