Dolat Capital: “Os termos finais do divórcio [Reino Unido] serão alvo de intensa negociação e de difícil previsão nesta fase”


A Dolat Capital é bem específica no que toca ao cenário político-económico que traça para o novo ano. Carim Habib, managing partner – investments & research da entidade, perspetiva esse cenário tendo em conta vários vectores que podem ser divididos por região.

Inevitavelmente, as palavras sobre os EUA não podem vir dissociadas da performance de Trump. O profissional acredita que os “primeiros três meses da Presidência Trump serão marcados pela incerteza”, embora depois de conhecidos os principais membros do gabinete, o mercado vá querer conhecer com mais detalhe “a orientação das políticas nos domínios interno e externo”.  Da sociedade consultora para o investimento “vão estar particularmente atentos aos pontos pivot da sua agenda económica, nomeadamente, quadro fiscal, plano de investimento em infraestruturas, liberalização do ambiente regulatório e redefinição dos acordos comerciais”.  Na esfera estritamente económica preveem “uma aceleração do crescimento (acima de 2%),  subida da inflação (fixando-se próximo de 2%), manutenção dos níveis de desemprego (abaixo dos 5%) e uma subida das taxas de longo prazo (UST10 anos entre 3%-4%)”.

Se do lado dos EUA o principal driver é a administração de Trump, na Europa o destaque vai para o intenso calendário eleitoral em 2017. Refere que os eventos eleitorais nos países “que formam o centro nevrálgico da zona euro, como a Holanda, França, Alemanha e, provavelmente, Itália, criarão volatilidade”. Se por um lado “o BCE já anunciou uma  ‘soft put’ no mercado de dívida com o propósito de amortecer a volatilidade causada pelo calendário eleitoral”, por outro, “prepara-se para entrar em modo ‘Phasing Out’”.

A intensa negociação que se adivinha

O início formal do Brexit é outro dos pontos a monitorizar, pois espera-se “que seja ativado o artigo 50 do Tratado de Lisboa, até ao fim de março”. Da Dolat entendem que “os termos finais do divórcio serão alvo de intensa negociação e de difícil previsão nesta fase”, e que “a libra irá permanecer volátil  com o BoE a gerir ativamente a política monetária para estabilizar as variáveis inflação, crescimento económico e desequilíbrio da Conta Corrente”.

Num mundo de tão difícil análise – como o que descrito anteriormente – a Dolat Capital olha para 2017 assentando a sua disciplina de investimento “numa visão de longo prazo com a avaliação de oportunidades específicas, numa perspetiva bottom-up, que proporcionem valor e margem de segurança para o investidor”. No mercado de dívida, Carim Habib aponta oportunidades (ajustadas pelo risco) “em hard-currency de soberanos e empresas de países emergentes e alguns periféricos”. No campo das ações, preferem empresas nos EUA – especialmente small caps, mas também no Reino Unido. Olham também, pontualmente, para financeiras na Europa, “particularmente, nomes que ainda transacionem a desconto significativo face ao tangible book value”. Remata de forma contundente: “Os principais riscos são sempre aqueles que advêm de uma difícil previsão ex-ante e são frequentemente de natureza idiossincrática, como, por exemplo, o colapso de uma empresa estrutural na China”.

Tendo em conta que o valor que observam no mercado norte-americano de small caps, apontam como boa opção de investimento o iShares ETF Russel 2000.

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Numa perspetiva mais de negócio consideram que em 2017 a principal oportunidade configurará também o maior desafio: “o desenvolvimento de um serviço de aconselhamento profissional, especializado e independente (sem conflitos de interesse) aos investidores em geral”.

 

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