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Dolat Capital: "Em 2018 estaremos atentos à agenda política do Presidente Trump"


Em entrevista à Funds People, a Dolat Capital revela-nos as suas perspetivas para 2018, num ano que será marcado pelo foco na agenda política do Presidente dos Estados Unidos e por uma menor probabilidade de riscos originados pelo ciclo eleitoral na Europa. As classes de ativos que a entidade considera mais atrativas, em termos de investimento, para este novo ano serão as obrigações de mercados emergentes, obrigações de taxa variável, obrigações indexadas à inflação, ações japonesas e small caps europeias. 

O que esperam de cada uma das principais economias (EUA, Europa, China Japão) no ano de 2018?

O cenário político-económico que perspetivamos para 2018 está ancorado nos seguintes vetores centrais:

EUA:

No plano estritamente económico, prevemos uma aceleração do crescimento (acima de 2.2%),  subida da inflação (fixando-se próximo de 2%), manutenção dos níveis de desemprego (abaixo dos 5%) e uma subida das taxas de longo prazo (UST10 anos entre 2.75% - 3%). Em 2018 estaremos atentos à agenda política do Presidente Trump, nomedamente o plano de investimento em infra-estruturas, liberalização do ambiente regulatório e redefinição do NAFTA.

Europa: 

O ano de 2018 será parco em eventos de risco originados pelo ciclo eleitoral, apenas Itália terá eleições legisltativas em Março. Na Alemanha,  após  um longo período de negociações, a solução de governo encontrada pela Sra. Merkel, novamente com o inevitável SPD, parece-nos duradoura.  A “grande coligação” parece ser o “mix” preferido dos eleitores e, também,  dos atores políticos alemães, aparentemente avessos a soluções governativas mais disruptivas. A influência do SPD fará sentir-se mais na política local (menos no plano europeu) com uma agenda pró-social com utilização do excedente fiscal em estímulos internos ao emprego, segurança social e incentivos à economia digital. Os indicadores macro na europa irão ser positivos, mas não irão surpreender. Esperamos um achatamento da curva de taxas de juro na Alemanha (diferencial 10Y-2Y), com o Bund a testar níveis próximos de 1%. A valorização excessiva do EUR/USD para níveis superiores a 1.25 terá um efeito detrator, especialmente nas economias periféricas.

Japão:

A economia japonesa terá um bom desempenho, crescendo acima de 1%, sustentado pela política de estímulos fiscais em vigor e da atividade económica decorrente da preparação para os Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio. Ainda assim, a inflação apenas se aproximará do target de 2% do Banco Central do Japão em 2019, antevendo o início de uma normalização da na política monetária.

China:

O crescimento da economia chinesa deverá abrandar em 2018, devido à redução do nível de crédito,  ainda assim, estimamos que terá um crescimento acima dos 6%. Prevemos que esta consolidação do crescimento económico, não tenha um impacto relevante na economia mundial.

Quais as classes de ativos melhor posicionadas para enfrentar o novo ano e que perspetivas têm para cada uma delas (obrigações, ações, imobiliário...). 

A nossa disciplina de investimento assenta numa visão de longo prazo com a avaliação de oportunidades específicas, numa perspetiva Bottom-Up, que proporcionem valor e margem de segurança para o investidor. Em nosso entender, no mercado de dívida as melhores oportunidades (ajustadas pelo risco), estão em mercados  emergentes (Seletivamente em HC e LC); mercado de taxa variável em USD e obrigações de governo indexadas à inflação como instrumentos de cobertura de risco. Relativamente ao mercado acionista, temos preferência por ações japonesas (com cobertura cambial) e Small Caps europeias. Sublinhamos, no entanto, que as perspetivas supra não consitutem recomendações nem consultoria de investimento. A Dolat Capital apenas presta consultoria de investimento de natureza específica aos seus clientes, tendo por base, entre outras, o seu perfil de risco e objetivos financeiros.

Que riscos monitorizam por esta altura com maior preocupação e porquê?

Os principais riscos são sempre aqueles que advêm de uma difícil previsão ex-ante e são frequentemente de natureza idiossincrática, como, por exemplo, o colapso de uma empresa estrutural na China, EUA ou Europa.  

Pergunta mais provocatória: Qual o objetivo que gostariam de ver concretizado em 2018, no trabalho que executam?

Consolidar o modelo de negócio da Dolat Capital, aumentando os ativos sob aconselhamento nas estratégias de investimento que desenvolvemos.

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