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Dividendos e valor fundamental: duas abordagens do investimento em ações


As diferentes estratégias para encarar o investimento em ações é um dos temas mais polarizantes entre o meio dos fundos de investimento, refletindo-se na variedade da oferta existente. Porém, na perspetiva do investidor, associada a essa diversidade, existe o risco de se gerarem dúvidas no momento da escolha da estratégia apropriada para as suas aplicações.

Com vista a esclarecer algumas dessas questões, o Banco Best promoveu no passado dia 9 de outubro uma conferência com o tema “Duas abordagens para investir em ações”. O encontro contou com as intervenções de Firmino Morgado, portfolio manager das estratégias de ações Europa e Ibéricas na Man GLG, e Ricardo Seixas, CEO e gestor dos fundos de ações Ibéria da Fidentiis Gestión, que se incumbiram de apresentar as estratégias dos fundos que gerem, na perspectiva do investimento em ações focado nos dividendos e no valor fundamental da empresa, respetivamente.


O poder do crescimento dos dividendos

Para Firmino Morgado não restam dúvidas quanto à importância da distribuição de dividendos no investimento em ações. Apresentado um estudo da MSCI desenvolvido para o governo norueguês, o gestor explica: “dependendo do período em que se detém uma ação, diferentes elementos explicam o retorno. Se for detida durante um ano, a maior parte do retorno é explicado pela avaliação através do ajustamento de múltiplos. Mas num período de 20 anos, a maior parte do retorno vem, não da avaliação, mas sim do crescimento do dividendo (64,5% de contribuição média)”.

É com base nestas premissas que o portfolio manager sustenta a estratégia de investimento dos fundos que tem entre mãos, exemplificando a sua aplicação no GLG European Income Opportunities. A carteira deste fundo Consistente Funds Peolple divide-se em “dois grupos de empresas: os dividend growers e os dividend yielders – todas têm de pagar dividendo”, sublinha o gestor, acrescentando que o fundo “é gerido de forma muito concentrada”, contendo entre 25 a 35 títulos. A seleção passa por um processo de escrutínio, em que coloca-se de máxima importância a capacidade da empresa de gerar liquidez, e assim ir pagando um dividendo crescente ao longo do tempo.

Por fim, o gestor português termina reiterando que “um fundo que investe em empresas com dividendo crescente tem sempre lugar num portfolio”, especialmente num contexto de mercado sobreavaliado. 


Como encontrar o valor de uma empresa

“Quando falamos em encontrar valor numa empresa estamos a questionar como é que vou conseguir encontrar uma empresa que o mercado não esteja a avaliar de forma conveniente?”. É este o ponto de partida de Ricardo Seixas para introduzir a filosofia de investimento da casa da qual faz parte, que se centra em  encontrar empresas que, segundo uma análise aos seus fundamentais, se revelam subavaliadas pelo mercado. 

Este tipo de abordagem implica o estudo de diversas variáveis, provenientes de várias fontes, que ajudem a compreender o desempenho da empresa, assim como o seu posicionamento no contexto sectorial. O gestor exemplifica: “os números históricos são uma base fundamental para perceber como é que a empresa tem evoluído, tal como as empresas comparáveis do mesmo sector ajudam a perceber tendências, valores médios e margens”. Existe ainda a necessidade de estimar alguns dados futuros, nomeadamente fluxos de caixa, que nos permitam compreender hoje o valor que a empresa pode vir a ter. O CEO da casa espanhola alerta para a sensibilidade neste ato de previsão, ao qual acrescem os desafios do contexto atual de taxas de juro negativas.

Destas análises resultaram indicadores nos quais assenta grande parte da decisão de investimento numa ação. Dependendo da duração do investimento (curto ou longo prazo) e do nível de risco assumido, diferentes indicadores - técnicos e fundamentais, respetivamente - terão mais peso sobre a estratégia a assumir. No caso dos fundos geridos pela Fidentiis, Ricardo Seixas é implacável: “aquilo que nós temos como claro é que somos investidores de longo prazo”. Porém, isso não significa que o curto prazo seja completamente ignorado; até pelo contrário: o gestor português sublinha a atenção dada ao newsflow e ao contato permanente com os gestores das empresas em que investem, o que lhes permite uma reação rápida a quaisquer desvios na estratégia ou a eventos que impactem os resultados da empresa.

A aplicação destes fundamentos está latente na gestão dos fundos Iberia Long Only e Iberia Long-Short, ambos sob alçada da Fidentiis Gestión, e que se focam no investimento em equities de Portugal e Espanha.

 
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