Diversificar dentro de uma classe de activos ou entre classes de activos? O que é melhor?


"Para os investidores particulares, é melhor seleccionar títulos específicos dentro de uma classe de activos (só acções, por exemplo) ou manter uma composição de classes de activos globais e ir alterando a ponderação de cada uma?" A documentação existente nesta matéria revela evidências contraditórias. Recorrendo a dados históricos, Brinson, Hood e Beebower (1991) defendem que esta última estratégia – alocação de activos – é superior à primeira – selecção de títulos. No entanto, Kritzman e Page (2002), adoptando uma abordagem de simulação, argumentam que o denominado 'stock picking' é significativamente melhor do que a alocação de activos.

No recente estudo publicado no DGFI Gobal Institute por Evelyn de Rothschild, o professor de finanças da Universidade de Cambridge analisou a importância relativa da alocação de activos e da selecção de títulos, alargando, para o efeito, o universo de oportunidades, das classes de activos tradicionais a uma composição mista de classes de activos tradicionais e alternativos.

Os resultados obtidos mostram que as estratégias de alocação de activos produzem uma dispersão de rendibilidades superior à das estratégias de selecção de títulos, especialmente durante crises económicas. Para a alocação de activos, os períodos mais importantes entre 1991 e 2011 foram: Fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo; Agosto de 1998, quando a Rússia entrou em incumprimento; Março de 2000, no início do rebentamento da bolha "dotcom"; e Setembro de 2008, aquando do colapso do Lehman Brothers e face à eclosão iminente da crise do crédito hipotecário de alto risco ('subprime'). Em contrapartida, o único período importante para a selecção de títulos foi a bolha "dotcom".

Assim, os resultados sugerem, de um modo geral, que a alocação de activos é mais importante do que a selecção de títulos, especialmente em períodos de maior volatilidade nos mercados. Na mesma linha, pronunciou-se Johannes Müller, economista chefe do Deutsche Asset & Wealth Management, que considera que ambas as estratégias só se podem comparar de forma eficaz perante um estudo rigoroso como o realizado por Evelyn de Rothscild

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