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Dez cisnes negros que poderão surgir em 2017


A lista de previsões do Saxo Bank com os eventos mais extremos que podem suceder no próximo ano já é quase uma tradição natalícia. “Depois de um ano em que a realidade conseguiu superar as previsões aparentemente mais improváveis – com a surpresa do Brexit e o resultado das eleições norte-americanas – o tema subjacente aos nossos Cisnes Negros para 2017 é que “os tempos desesperados provocam ações desesperadas”, comenta Steen Jakobsen, economista chefe do Saxo Bank. Em seguida apresentamos-lhe um resumo das previsões mais extraordinárias do banco.

China cresce cerca de 8%

A China entende que chegou ao final do caminho da sua fase de crescimento de produção industrial e de infraestruturas e, através de um estímulo massivo das políticas fiscais e monetárias, abre os mercados de capitais para dirigir com êxito uma transição para o crescimento impulsionado pelo consumo, o que poderá gerar uma taxa de crescimento de 8% em 2017, impulsionada pelo sector dos serviços. A euforia gerada por este dado leva o Shanghai Composite a duplicar-se desde o seu nível de 2016, superando os 5.000 pontos.

Fed fixa as obrigações a 10 anos em 1,5%

À medida que sobem as taxas de juro e o dólar, a política fiscal impulsionada pelo novo presidente norte-americano faz com que as yields a 10 anos alcançassem os 3%, causando pânico no mercado. Neste cenário, a Fed copia o controlo da curva aplicado pelo BoJ, fixando as yields das obrigações a 10 anos nos 1,5% mediante a introdução de um “QE sem fim”. Esta medida detém rapidamente a correção dos mercados de ações e obrigações, conduzindo a maiores ganhos para os mercados de obrigações nos últimos sete anos.

A taxa de default chega aos 25%

Os bancos centrais alcançam os limites das suas políticas monetárias. Os governos passam o seu testemunho via estímulos fiscais, o que implicará um aumento das taxas, inclinando a curva. O problema vê-se exacerbado por uma rotação nos fundos de obrigações, ampliando os spreads e tornando impossível o refinanciamento do high yield, o que impulsionaria a taxa de default até aos 25%.

Bremain

O aumento do populismo a nível global disciplina a liderança da UE numa nova postura mais cooperativa para o Reino Unido, de tal forma que nas negociações a UE faz concessões chave sobre a imigração e os direitos do passaporte das empresas de serviços financeiros com sede no Reino Unido. Quando o artigo 50 é ativado e submetido ao Parlamento é feita uma rejeição de um novo acordo, o que permite que o Reino Unido se mantenha na órbita da UE, o Banco de Inglaterra suba as taxas até aos 0,5% e o euro/libra caia até aos 0,73.

Os bancos italianos disparam 

O gatilho para esta situação seria um resgate à banca alemã como consequência do dano provocado pelas taxas negativas e pelo achatamento da curva. Isto implica um resgate ao sistema bancário da UE para estabelecer uma recapitalização generalizada e criar um banco mau europeu para limpar o balanço da zona euro e conseguir que o mecanismo de crédito bancário volte a funcionar. As ações dos bancos italianos recuperam mais de 100%.

Valorização do peso mexicano

O  mercado subestima as verdadeiras intenções e Trump e a sua capacidade para reprimir o comércio com o México, o que permite a apreciação do peso. Por outro lado, as taxas cada vez mais altas iniciam uma crise creditícia no mercado imobiliário canadiano e os seus bancos colapsam, forçando o Banco do Canadá a introduzir estímulos e injectar capital no sistema financeiro. O Canadá beneficia menos do ressurgimento do crescimento dos EUA porque a sua base industrial se transformou desde a globalização, bem como por causa de uma moeda excessivamente forte. O par dólar canadiano/peso mexicano corrige até cerca de 30% desde meados de 2016.

O cobre toca mínimos 

Em 2017, o mercado começará a dar-se conta de que o novo presidente norte-americano terá dificuldades em levar a cabo os investimentos prometidos, que favoreciam a procura de cobre. Perante o crescente descontentamento, Trump sobe o volume do protecionismo, introduzindo barreiras comerciais que representarão problemas tanto para os mercados emergentes como para a Europa. O crescimento mundial começa a debilitar-se, enquanto que a procura da China de metais industriais abranda à medida que avança em direção a um crescimento impulsionado pelo consumo. Se o preço do cobre quebrar o apoio da tendência por causa da queda da procura, que remonta a níveis de 2002 em dólares/libra, as “comportas” abrem-se e uma onda de vendas especulativas ajudará a remeter o cobre para mínimos de 2009 em 1,25 dólares/libra.

Grandes lucros para o Bitcoin

Com Trump, o gasto fiscal dos EUA duplicará ou triplicará o défice orçamental, disparando o crescimento e a inflação. Isto obrigará a Fed a acelerar a subida das taxas, e o dólar chegará a novos máximos, com efeito dominó nos mercados emergentes, em particular na China, que começa a procurar alternativas para o sistema monetário 'fiat' dominado pelo dólar norte-americano e pela sua excessiva dependência da política monetária dos EUA. As criptodivisas aparecem como uma alternativa, e o Bitcoin será o mais beneficiado pois poderá revalorizar-se dos atuais 700 dólares para os 2.100 dólares.

A reforma sanitária nos EUA desencadeia pânico no sector

O gasto na saúde nos EUA é de cerca de 17% do PIB, face à média mundial de 10%, mas uma proporção cada vez maior da população norte-americana não pode pagar as suas faturas médicas. Depois de uma recuperação inicial motivada pela vitória de Trump, as ações farmacêuticas voltarão a retroceder em 2017, porque os investidores dar-se-ão conta de que Trump lançará reformas radicais no sistema de saúde norte-americano.

A chegada dos eurobonds

Os partidos políticos tradicionais distanciam-se da austeridade para retomar o keynesianismo. A UE promove um plano de seis anos de estímulo de 630.000 milhões de euros apoiado pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Para evitar a diluição resultante do aumento das importações, anuncia-se a emissão de EuroBonds, inicialmente orientadas para um bilião de euros de investimento em infraestruturas, reforçando a integração da região e impulsionando as entradas de capital na UE.

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