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Devemos aplicar o “sell in May and go away” num ano como este?


Os primeiros quatro meses do ano foram muito melhores do que o esperado por um grande número de investidores que temiam que esta primeira parte do ano fosse uma sequela daquilo que foi o fatídico último trimestre de 2018. Ao fim e ao cabo, a queda que tanto os mercados de ações como os de obrigações protagonizaram na última parte do ano fez com que cerca de  90% dos ativos terminasse o ano com perdas.

Mas esses números negativos, que agora o investidor vai recordar quando receber os relatórios dos seus investimentos com o valor das comissões que pagou explicitamente após a entrada em vigor do Mifid II, sofreram uma reviravolta. É raro o índice de ações que não acumule ganhos de mais de 10% desde o início do ano, e também é raro o investidor de obrigações que não consiga ganhar dinheiro após a nova reversão dos dois grandes bancos centrais no que diz respeito à sua política monetária.

Mas o facto de muitos dos riscos que surgiram em 2018 se terem mantido em 2019 (a guerra comercial, a ameaça de recessão, o retrocesso dos resultados empresariais, os riscos geopolíticos com várias eleições em vista) convida a fazer a pergunta que todos os investidores fazem quando entrarmos no mês de maio. É altura de reduzir o risco de bolsa na carteira? Devemos aplicar o famoso ditado “sell in May and go away”?

Segundo mostram as diferentes perspetivas de mercado que por estes dias as gestoras divulgam, os mercados de ações ainda podem continuar a dar alegrias aos investidores, desde que estes sejam capazes de participar no aumento da volatilidade, e desde que não hajam surpresas negativas nos resultados empresariais, mas tendo em conta que há uma grande parte dos investidores que não aproveitaram este rally de mercado. “Os fluxos foram muito tímidos, e, por isso, ainda que se tenha perdido muita liquidez, o rally podia ajudar a que as correções de mercado não fossem muito elevadas e que tenham um carácter de curto prazo”, afirma Esty Dwek, responsável de estratégia macro da Natixis Investment Manager.

De facto, segundo os dados da Morningstar Direct, durante o primeiro trimestre de 2019, os fundos de ações (incluindo ETFs) apenas registaram entrada de dinheiro no valor de 20.067 milhões de dólares, o número mais baixo desde o terceiro trimestre de 2016, e muito inferior aos 231.557 milhões que entraram nos produtos de obrigações.

“A grande pergunta é se o “bull market” continua a ter caminho para percorrer e até que ponto os resultados empresariais dos EUA influíram ou não na desaceleração económica”, refere Rita Vohora, diretora de investimento da equipa de ações da M&G. A este respeito na Fidelity preveem um crescimento de lucros a nível mundial para este ano destacando por regiões a Ásia, sem contar com o Japão, e os mercados emergentes, com subidas nos seus lucros superiores a 4%. Daí que na gestora americana recomendem continuar a apostar nas ações no segundo trimestre do ano apesar de avisarem que será necessária mais cautela já que “embora  as avaliações tenham recuperado níveis mais razoáveis, a conjuntura macroeconómica para as bolsas difere de ser eminentemente de alta”.

Na mesma linha pronuncia-se a J.P.Morgan AM quando comparam as previsões que regem para as ações com o mercado de obrigações. “As ações continuam a ser atrativas em comparação com as obrigações e é muito provável que subam a curto prazo graças à melhoria dos dados económicos e à pausa da Fed. No contexto atual, mantemos uma preferência pelo segmento de grande capitalização em detrimento do seu homólogo de pequena capitalização, e pelo valor em detrimento do crescimento”, afirmam.

Na BlackRock também optam por ser mais seletivos no momento de escolher entre os valores que já protagonizaram nestes primeiros meses do ano todo o seu caminho e os que tenham ficado um pouco mais para trás neste rally de 2019. “Mantemos uma postura de predisposição ao risco. Não obstante, estamos conscientes de que o recente aumento nos mercados parece frágil e dificilmente se repetirá, e acreditamos que as expectativas da política da Fed passaram a ser demasiado acomodatícias. Damos prioridade às ações de qualidade nos sectores que podem oferecer um crescimento sustentado dos lucros numa economia em abrandamento, como os valores de determinadas empresas tecnológicas e de saúde”, referem.

De facto, adotar um desvio mais defensivo após um primeiro trimestre que surpreendeu muitos investidores, é uma das estratégias que mais defendem os gestores dos fundos mistos mais vendidos.

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