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Devem os investidores incluir bitcoins como parte de uma carteira global diversificada?


É cada vez mais difícil dizer que a bitcoin é um mercado de nicho. Estima-se que a quantidade de energia gasta a cada ano pela mineração de bitcoins supera o consumo anual da Nigéria, um país com metade dos habitantes dos Estados Unidos. Em outubro, anunciou-se que a capitalização do mercado total de bitcoins em circulação tinha superado a de algumas das mais conhecidas empresas do mundo, entre elas a Netflix, General Electric e McDonalds. Mas… isto significa que os investidores que querem estar diversificados devem ter bitcoins como parte de uma carteira global?

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Segundo explica a equipa de multiativos da M&G Investments, um investimento é um tipo de ativo capaz de ter rentabilidade com o tempo, que prevemos vender em algum momento futuro (idealmente com um certo lucro). “Isto tem uma componente subjetiva: uma pessoa pode ter um quadro em sua casa sem se aperceber em nenhum momento do seu valor futuro, mas se vier a descobrir-se que é uma obra perdida de Picasso, será um investimento, quer essa tenha sido a intenção inicial ou não. É muito difícil saber de antemão se alguns tipos de ativo serão ou não bons investimentos”.

O manifesto Bitcoin original não menciona a criptomoeda como um investimento ou como proteção contra a evolução das divisas tradicionais, simplesmente apresenta um sistema de pagamentos que não depende de terceiros. De modo semelhante, qualquer argumento de que a bitcoin deverá manter-se como reserva de valor real devido à sua oferta limitada não parece ser sustentável. Consideremos, por exemplo, os movimentos de cotação experimentados recentemente pelo ativo no prazo de três dias:

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“É evidente que a bitcoin se converteu num investimento para muitos, mas o gráfico anterior ilustra como representa um ativo puramente especulativo em muitos sentidos. Não acreditamos que os investidores devam ter uma carteira de mercado em todos o momentos; em vez disso, vemos a valorização como um fator importante para saber que ativos representam bons investimentos. Houve tentativas de determinar o valor da bitcoin, mas existem muito poucos indícios de que exista uma âncora de valorização que nos permita avaliar a rentabilidade esperada a longo prazo”, afirmam.

Episódios e âncoras de valorização

“Muitas pessoas pensam, acertadamente, que todos os ativos financeiros são de natureza altamente especulativa. Os críticos mais acérrimos defenderão a ideia de que o comportamento atual das ações norte-americanas apenas se diferencia do da bitcoin em termos de magnitude, mas tal afirmação é injusta. Existem argumentos teóricos e empíricos sobre o porquê de a valorização ser importante para as classes de ativos tradicionais. Se as pessoas consideram que o mercado norte-americano está sobrevalorizado, apenas podem afirmá-lo baseando-se na ideia do seu valor razoável”.

A equipa define um episódio como um período em que influências comportamentais, como o pânico e a euforia, elevam os preços a partir desse valor justo. No entanto, reconhecem que avaliar o seu valor justo não é tarefa fácil. “A incerteza do modelo de preços é a teoria que diz que é mais fácil estimar o valor justo de alguns ativos do que de outros. Por exemplo, as obrigações têm uma âncora mais sólida do que as grandes divisas graças aos seus fluxos de caixa recorrentes. Por esse motivo, registaram-se muitos mais casos de superação e maior desvio em relação ao valor razoável em moeda estrangeira do que em obrigações. Isto também explica a maior volatilidade que predomina nos mercados de divisas na maioria dos cenários”.

Como se encaixa a bitcoin perante a incerteza do modelo de preços?

De acordo com a equipa de multiativos da M&G Investment, a bitcoin enfrenta desafios porque até as forças débeis que atuam como âncoras de valorização em divisas tradicionais – como os spreads das taxas de juro, os padrões de comércio global e as condições de emissão de divisas – estão ausentes neste caso. Sem estes motores, a bitcoin parece-se menos com uma divisa e mais com uma matéria-prima, sujeita às leis de oferta e procura baseada em preferências. Não obstante, ainda que a oferta seja na sua maioria concebível, a procura não está sujeita às mesmas dinâmicas que recursos como o petróleo ou os metais. A sua relação com a atividade na economia real é mais ténue, já que ninguém utiliza a bitcoin para fins produtivos”.

“Com o tempo, à medida que se estabelece (ou não) o valor de utilização da bitcoin, poderá ser possível ficar com uma ideia dos motores fundamentais desse valor e, baseando-se neles, conseguir determinar se os preços vigentes são razoáveis ou não. Até então, dependemos em grande medida dos prognósticos do gasto dos restantes, o que geralmente leva a alguma volatilidade”, concluem.

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