Descubra as classes de ativos mais “doces” ou “travessas” até ao final do ano


Na revista Especial Setembro, a Funds People Portugal realizou um inquérito junto das entidades nacionais para identificar qual é a tendência de distribuição de ativos dos gestores de patrimónios e qual seria o futuro próximo. De acordo com as respostas, até ao final do ano a preferência recairia sobre as ações europa (overweight em 69% das respostas). Já no lado oposto, aparecem as obrigações soberanas com a indicação de subponderação em 60% das respostas.

Será que as respostas ao inquérito se mantêm na perspetiva atual do mercado? Será que as ações das bolsas europeias continuam a ser um doce e as obrigações soberanas uma travessura? Fomos à procura de respostas numa analogia a esta altura do ano, em que se celebra, especialmente nos países anglo-saxónicos, o Halloween.

Europa em grande estilo

A Europa está a recuperar! Segundo o Eurostat, a Zona Euro cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2013, depois de cair consecutivamente desde meados de 2011. No dados apresentados no final de setembro, Portugal foi o grande destaque com um crescimento de 1,1%, sendo o único país a crescer acima da barreira dos 1%.

Este facto aliado ao sucesso na resolução do problema da dívida soberana, tornam o mercado acionista europeu um doce para seis dos nove entrevistados, até ao final do ano.

Rui Castro Pacheco, subdiretor da direção de investimentos do Banco Best; Rita Appleton, senior equity fund analyst na Wealth Management Unit do Millennium BCP; Carla Veiga, fund manager da ESAF, Ricardo Duarte Silva, portfolio manager da CA Gest; Jorge Sousa Teixeira da BPI Gestão de Activos, Jorge Guimarães da Banif Gestão de Activos e ainda Catarina Roseira do Gabinete de Gestão de Activos Private do Santander Totta, referiram que esta classe (ações europeias) será o melhor doce até ao final do ano.

Rui Castro Pacheco justifica a sua escolha porque “as valorizações estão mais atrativas que outros mercados desenvolvidos e as economias europeias parecem dar sinais de recuperação.“ Já Ricardo Duarte Silva reforça a ideia e refere que “as ações europeias estão ainda a desconto face às congéneres norte-americanas e as margens operacionais apresentam ainda alguma margem de evolução”. Jorge Sousa Teixeira conclui a ideia dos outros entrevistados ao afirma que as ações europeias são um docepelo potencial de progressão no processo de integração da UE, por via da continuação da resolução da crise das dívidas soberanas e pelo que os avanços na União Bancária representam”.

Paulo Gonçalves, coordenador na área de ativos mobiliário do Popular Gestão de Activos, é mais especifico ao afirmar que o melhor doce serão as empresas europeias de pequena e média capitalização. Já João Pina Gomes, do Deustsche Bank Portugal, prefere as ações norte-americanas como treat até ao final do ano.

“Travessuras” para todos os gostos

Já no trick, a tendência não é tão definida como no treat. Ainda assim, nota-se um claro afastamento dos títulos de dívida estatais. Carla Veiga afasta-se dos treasuries até ao final do ano. Jorge Guimarães corrobora apontando a dívida pública americana como a classe tricky até final de 2013. Paulo Gonçalves, coordenador da área de activos mobiliários da Popular gestão de Activos, Rui Castro Pacheco e Jorge Sousa Teixeira confirmam o resultado do inquérito realizado pela Funds People e acham que o maior trick até ao final do ano está na dívida soberana, sendo que o subdiretor da direção de investimentos do Best engloba o países desenvolvidos e o administrador da BPI Gestão de Activos é mais restrito à zona europeia, explicando que a "partida" poderá vir de uma undeperformance das obrigações soberanas europeias à medida que os problemas se dissolvem e o risk-on leva os investidores para activos de maior risco e menos expostos a subidas de taxas".

Para Rita Appleton, a maior partida está na classe dívida de mercados emergentes, enquanto Catarina Roseira prefere afastar-se da “long duration”. Para João Pina Gomes e Ricardo Duarte Silva são as commodities que podem ser a classe travessa até final do ano. O gestor da CA Gest justifica a sua escolha pelo facto da "economia global permanecer em desaceleração, condicionada pelo desempenho recente dos mercados emergentes. Além da inexistência de pressões inflacionistas e de expectativas quanto a uma subida sustentada de preços limita o potencial de valorização da classe. Teima em confirmar-se o efeito reflacionista das medidas de estímulo monetário sem precedentes avançadas desde 2008 pelos principais bancos centrais à escala mundial".

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