Descida das taxas de juro: o “empurrão” para os fundos de distribuição de rendimentos


Charles Payne, diretor de investimentos da Fidelity Worldwide Investments, falava recentemente na procura que os fundos que distribuem rendimentos têm registado. A propósito do funcionamento do fundo da casa FF Global Dividend Fund, o especialista reiterava: “É um produto para pessoas como eu, que pensam na reforma”.

Em Portugal, o interesse por fundos que distribuem rendimentos intensificou-se de há dois anos para cá. As três plataformas nacionais que distribuem fundos (Banco Best, Banco BiG, e ActivoBank) comprovam-no e enumeram os vários motivos.

O  desalento oferecido pelas obrigações e depósitos

Isabel Soares, gestora de produto do Banco BiG, fala da “descida das taxas associadas aos depósitos a prazo e, no que diz respeito ao investimento direto no segmento de rendimento fixo, a maior dificuldade em encontrar títulos com potenciais de valorização interessantes”. 

Opções como os “depósitos a prazo e as obrigações eram produtos que pagavam juros/cupões de uma forma regular”, lembra Rui Castro Pacheco, head of asset management do Best, que frisa o caráter conservador destes investidores “que ao procurarem nos fundos de investimento alternativas com taxas de retorno interessantes, acabaram por preferir investir em classes que lhes permitem obter algum retorno periódico que já não encontravam precisamente nos depósitos e nas obrigações”.

A profissional do Banco BiG indica que “é a preferência por soluções com estas caraterísticas que tem permitido a captação de montantes normalmente alocados a depósitos ou obrigações por parte dos fundos de distribuição”.

Números comprovam interesse

Há dois anos atrás, no Banco Best, “não existiam quase investidores na classe de distribuição dos fundos de investimento; era quase 100% em fundos com  acumulação dos proveitos gerados”. Há um ano a esta parte “a alocação cresceu para cerca de 7% e neste momento temos cerca de 20% dos investimentos dos nossos clientes em fundos com distribuição de rendimentos, essencialmente mensal e trimestral”, diz o responsável pela gestão de ativos.

Na hora de investir neste tipo de produto a marca das gestoras internacionais é determinante. “Por norma estas casas têm na sua oferta fundos que apresentam as duas opções: uma classe de acumulação e outra de distribuição. As gestoras internacionais têm uma oferta bem diversificada nos vários tipos de ativos (obrigações, mistos e ações), pois noutros países já existe um longo historial na preferência por este tipo de fundos”, entende Rui Castro Pacheco.

Oferta específica nesta classe

O Fund Mix do Banco BiG tem desde há um ano e meio um cabaz de fundos com especial enfoque neste tipo de produtos: o Fund Mix Ações Dividendo. “Temos privilegiado a concepção de soluções que permitam receber fluxos periódicos no decorrer do investimento”, declara Isabel Soares. A gestora de produto revela que “apesar da alocação não contemplar exclusivamente fundos com distribuição de dividendos, estes têm sido os produtos privilegiados para integrarem a carteira”.

O apelo para os investidores reformados

Guilherme Cardoso, do ActivoBank, vai ao encontro da opinião de Charles Payne da Fidelity. “Fundos com distribuição de rendimentos sempre foram uma solução interessante para investidores reformados, como forma de receberem um rendimento adicional”. Da entidade também denotam um aumento da procura por este tipo de produtos pelas razões já enunciadas: “Fruto da diminuição das yields das obrigações e das taxas de remuneração dos depósitos”. Acrescenta que “a principal preocupação é normalmente a sustentabilidade ou as perspetivas de aumento dos dividendos”.  

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