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Desafios da COP25


Como em qualquer das recentes Conferências das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a COP é de extrema importância. Ficou acordado que a COP26 que se realizará no próximo ano será um ponto de viragem chave, mas este ano já se vão assentar as bases para uma revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), ou seja, os objetivos definidos por cada país em relação à redução das suas emissões de CO2. Isto é considerado essencial porque desde a COP21 de 2015 que nos demos conta de que os compromissos acordados por todos os países conduziram a um aumento da temperatura da Terra de três graus sobre os níveis pré-industriais, enquanto o Acordo de Paris estabelecia claramente um máximo de dois.

Relatórios recentes mostraram-nos que perdemos uma década – 2008 a 2018 – sem alcançar nenhuma diminuição das emissões de gases de efeito estufa, apesar de muitos compromissos e pedidos. Isto significa que, segundo o relatório das Nações Unidas sobre o meio ambiente publicado em novembro, teremos de reduzir as emissões mundiais de CO2 a um nível mais rápido: 2,7% anual na próxima década, em comparação com o aumento de 1,5% anual dos últimos anos. “Existe uma brecha significativa entre os objetivos que temos de estabelecer, a ambição necessária para os materializar e o que os países se comprometeram a cumprir até agora”, afirma Perrine Dutronc, analista de investimento sustentável da La Française.

Segundo o especialista, outro objetivo importante da COP25 será como vai reagir a China e, posteriormente, outros países como a Índia, face à necessidade de aumentar as ambições e objetivos.

“Recentemente ficámos a saber através do último relatório Global Energy Monitor que a China voltou a apostar no carvão. Entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019, o país asiático aumentou 43 GW a geração de energia a partir deste mineral, enquanto o resto do mundo conseguiu reduzir a produção de energia por combustão de carvão em 8 GW. Os planos futuros da China para acrescentar ainda mais capacidade (em concreto 148 GW de geração de eletricidade a partir de carvão para 2030) são alarmantes, ainda mais quando se sabe que qualquer planta de carvão significa emissões de CO2 muito elevadas durante os próximos 40 anos, ou seja, muito além de 2050, quando o mundo deverá ser neutro em carbono”.

O que as mudanças climáticas significam em termos de risco e oportunidades de investimento é uma história diferente. Dutronc acredita que os riscos climáticos podem perturbar gravemente a atividade económica, mas também que as mudanças climáticas criam oportunidades para as empresas que oferecem ou facilitam soluções para enfrentar a emergência climática.

“Os sectores com elevadas emissões de gases de efeito estufa, como o petróleo e o gás, o aço ou o cimento, ver-se-ão desafiados, mas devemos ter em conta que a passagem para uma economia baixa em carbono afetará todos os sectores. É provável que os riscos climáticos se desenvolvam de forma “não linear”, ou seja, que aconteçam choques económicos repentinos, como fenómenos meteorológicos extremos, em vez de uma transição constante. Isto resultará em vencedores e vencidos em todos os sectores”.

Não obstante, considera que os sectores altamente expostos às emissões de carbono terão mais vencidos do que vencedores. “Os vencedores do futuro são os que já compreenderam que é necessária uma transição e atuaram nesse sentido. Como tal, acreditamos que alguns sectores são especialmente interessantes, como as tecnologias informáticas e o cloud computing ou as energias renováveis. Mas cada setor necessita de desempenhar o seu papel e o nosso, através do centro de investigação Inflection Point da La Francaise, é estar em condições de analisar e avaliar as empresas e identificar os vencedores para os ajudar na sua transição para uma economia baixa em carbono”, conclui.

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