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"Dependendo do trinómio classe/estratégia/região o fundo fica sujeito a revisões periódicas"


 

1. Que peso tem, no seu processo de selecção de fundos, a análise quantitativa face à análise qualitativa?

A análise quantitativa, isoladamente, tem um peso muito pequeno. Não se trata de factor de eleição ou rejeição. Assume sim, um papel preponderante na tomada de decisão e na determinação dos factores explicativos de determinados resultados passados de suporte à análise qualitativa. Determinante na selecção é a análise qualitativa. Esta análise faz óbvio recurso dos modelos analíticos que ajudem a entender o comportamental da gestão e perspectivar a sua aderência aos objectivos que se propõem atingir.

2. Uma vez escolhido o fundo, como faz a revisão dessa selecção, de forma pontual ou através de um processo regular e definido? Quais os critérios mais ponderados para deixar de recomendar um fundo?

Dependendo do trinómio classe/estratégia/região do fundo fica sujeito a revisões periódicas mais ou menos alargadas salvo ocorrência de factores de alerta que podem despoletar revisões pontuais. Como principais critérios de abandono temos a alteração da equipa de gestão, ocorrência de factos danosos para o património e/ou imagem do fundo, consistentes desvios aos objectivos do fundo num espaço temporal mais ou menos alargado (novamente em função do trinómio referido), alterações à política de investimentos, fusões ou aquisições, alterações aos critérios de selecção e investimento do fundo, percepção de potencial quebra de liquidez, entre outros.

3. Em 2008, muitos fundos tiveram problemas de liquidez, tendo sido mesmo encerrados. Perante essa experiência, alterou o seu processo de selecção ou passou a dar mais importância ao factor liquidez?

O tema da liquidez percebida mantém a mesma importância: elevada preocupação. Gerar liquidez de um determinado fundo, e em função de determinado momento de mercado, pode ditar um custo (ou benefício) de oportunidade. Quanto? Se não tiver o 'timing' mais desejável, quanto se pode ser prejudicado pela permanência no fundo? Também a história se encarregou de mostrar, se dúvidas houvesse, que factores como a dimensão, dispersão de riscos, …, não imunizam, isoladamente, os riscos de mercado. É um dado que a liquidez não é uma verdade absoluta e fechada nem característica de determinados pressupostos. É analisada e, uma vez mais, em função do trinómio classe/estratégia/região. Aqui entra o historial da casa gestora e temas de 'governance' para caracterização do padrão comportamental perante um evento de mercado mais ou menos profundo.

4. Até que ponto um bom ou mau serviço de uma gestora afecta a selecção de fundos da mesma?

No nosso dia-a-dia profissional ou pessoal, todos procuramos um bom serviço. Se for de excelência, tanto melhor. No entanto, a selecção só é afectada quando existe opacidade ou mesmo falta de informação determinante e em tempo útil. Actualmente a informação é algo fácil de conseguir se bem que muitas vezes redundante. É essencial que, mais do que a mera venda, a gestora tenha um compromisso de parceria e historial de clarificação sempre que necessário, mesmo se a realidade não é a que mais gostaríamos de ouvir.

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