De onde vêm os lucros das empresas dos principais índices mundiais


Num mundo globalizado, a nacionalidade de um índice pouco tem a ver com a procedência de onde recebe a maior parte dos seus lucros, por isso, muitas vezes na cotação dos índices têm mais repercussão as notícias que chegam de fora do que as que se geram dentro do seu país. A Morningstar Research lançou uma nova ferramenta com a qual colocou números concretos na percentagem de lucros que cada um dos principais índices de ações recebe do seu mercado doméstico. A conclusão é que são muito poucos os benchmarks cujo comportamento depende quase em exclusivo do que acontece nas suas economias dentro de portas.

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“A nova ferramenta de exposição de lucros por região da Morningstar pode conduzir a melhores resultados para os investidores ao proporcionar uma visão detalhada da composição global dos índices de ações e das carteiras. Ao contrário da classificação tradicional baseada no domicílio, as empresas multinacionais já não precisam de ser alocadas num só país. Em contrapartida, a diversidade geográfica dos seus fluxos de lucros recebe uma representação completa”, afirmam os analistas da Morningstar num paper que publicaram para explicar a metodologia desta nova ferramenta.

De qualquer forma, uma das grandes conclusões que mostra o mapa dos principais índices que a plataforma estudou é que são muito poucos os índices com uma exposição doméstica de lucros superiores a 70%. Concretamente, isto é algo que só se vê nos indicadores de países emergentes como nos da República Checa, da Polónia, do Egipto, dos Emirados Árabes, da Indonésia, Tailândia ou do Brasil. Pelo contrário, os índices com uma componente de lucros mais internacional ou, pelo menos, não tão ligados à sua economia doméstica são os indicadores da Holanda, Irlanda e Suíça, cujos lucros domésticos não superam os 15% do total.

Não obstante, além destes dados, será interessante ver a evolução destes números nos próximos anos num contexto em que os tambores protecionistas voltem a fazer-se soar nos mercados intensivamente, primeiro na guerra comercial protagonizada hoje pelos EUA e a China, mas que pode continuar a expandir-se a outras regiões, e também do auge do populismo na maior parte dos países do mundo, que é tudo menos pro globalização.

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