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Darren Madden (Lazard): “Sentimo-nos confortáveis com a classe de ativos de dívida emergente neste ambiente de mercado”


A classe de dívida emergente tem experienciado períodos de volatilidade, principalmente nos últimos cinco anos, mas durante os últimos três/quatro trimestres essa situação piorou. O que conduziu a tal situação? Poderá ser este um bom ponto de entrada? Na opinião de  Darren Madden, gestor e analista de dívida emergente, da Lazard Fund Managers,  foi um conjunto de factores que, juntos, “conspiraram” contra a classe de ativos. Mas muitas dessas preocupações que, na opinião do especialista, apareciam acopladas aos mercados emergentes, pode dizer-se “que estabilizaram ou de algum a forma se reverteram”.

A título de exemplo lembra que os leading indicators na Europa caíram dramaticamente em 2018, enquanto que nos Estados Unidos esses indicadores continuaram a mostrar uma grande robustez. “Esperamos que o crescimento Global continue a aumentar a um nivel razoável em 2019. O crescimento fora dos EUA deverá convergir com o norte-americano, uma vez que os estímulos fiscais nos EUA irão começar a dissipar e os mercados emergentes a recuperar. Este ambiente deverá ser mais favorável para os mercados emergentes de dívida”.

Quando se experienciam períodos como o evidenciado acima, o profissional apontou aos presentes quais os princípios base dos quais não se desviam. “Em primeiro lugar, somos adeptos do “não entrar em pânico”. Em segundo, consideramos sempre a hipótese de “dar um passo atrás”, apontou. A este nível aconselha que se avalie “se a extensão do sell off se deve realmente aos fundamentais” e, em combinação com isso, fazendo-se sempre uma “avaliação das valuations”.  “Perceba se está numa situação em que é uma excelente oportunidade para entrar e comprar, ou seja, perceba se se trata efetivamente de um good entry point. Diria que dos fatores fundamentais todos que consideramos, o mais importante é o crescimento. Quando pensamos porque é que as pessoas investem numa primeira análise nos mercados emergentes, pensamos logo no crescimento. Este tende a ser o big driver do investimento neste mercado vs os mercados desenvolvidos”, detalhou.

Argentina e Brasil – melhorias

Embora existam muitos fatores idiossincráticos que continuam a ter uma grande influência na classe de ativos, - “com alguns países a serem punidos, uns de alguma forma justificada, outros não” -  Darren Madden acredita que a maioria dos países continua a apresentar “sólidos fundamentais numa base bottom up”. É, por isso, muito incisivo: “Sentimo-nos seguros com a classe de ativos no atual ambiente de mercado”.

Essa segurança foi justificada com algumas “notícias positivas” que chegam por exemplo da Argentina ou do Brasil, países que até meio de 2018 ofereciam preocupações mais acrescidas aos investidores. 

“A Argentina tem sido realmente punida de forma severa ao nível da sua moeda, mas também no que toca o nível dos spreads de crédito em 2018. Parte disto teve que ver com as políticas que o banco central do país vinha a levar a cabo, com subidas dos targets de inflação ao mesmo tempo que cortava taxas”, apontou o profissional, lembrando que, por essa altura, o país mostrava algo errado aos mercados. “O país incorreu em erros políticos, tais como, favorecer o crescimento em detrimento de controlar a inflação, o que erodiu a confiança dos investidores”. Os sinais mais positivos chegaram recentemente. “Temos visto aspetos muito positivos na Argentina, nomeadamente o fato de terem pedido ajuda ao FMI, e o fato de terem subido as suas taxas. Recentemente, conseguiram também alcançar um target de inflação nunca alcançado”, explicou. Por estes motivos, o especialista foi claro: “atualmente a Argentina é um consensus overweight”.

Junta-se à lista de aspetos positivos também o Brasil. “Achamos que a eleição de Bolsonaro deverá aumentar a probabilidade do Brasil poder colocar em curso algumas reformas no país. Por isso, vemos melhorias numa perspetiva bottom up”. 

Fluxos positivos e valuations interessantes

Recuando no tempo, o profissional voltou a 2016 e 2017. “Foram anos muito fortes de inflows para a classe de ativos, e 2017 foi mesmo um ano record. Registaram-se 150 mil milhões de dólares de entradas na classe de ativos, muitos deles conduzidos pelos investidores de retalho. Os investidores têm continuado fiéis à classe de ativos, com fluxos positivos, apesar do início volátil de 2018”, apontou.

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As valuations da classe de ativos configuram outro ponto aliciante, na opinião do profissional.  “As valuations de dívida de mercados emergentes denominada em dólares podemos ver que estão em máximos atrativos desde a crise financeira, por isso achamos que configuram um bom ponto de entrada”, reiterou.

Dentro do segmento de dívida, o mais favorecido pela equipa por esta altura é o de high yield. “Os spreads estão no percentil 90 versus a história recente; nas carteiras a classe de ativos pode ser interessante para ter um papel de compensação em termos de spread”, justificou.

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