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Dados básicos que deve saber sobre a indústria de hedge funds


Quando falamos sobre hedge funds, estamos a referir-nos a uma indústria com 2,25 biliões de dólares em ativos sob gestão, sendo que 66% estão investidos na América do Norte. Falamos também de um sector que, apesar do intenso debate a que temos vindo a assistir na última década em torno da baixa rentabilidade oferecida, a transparência das suas posições e comissões que cobram, tem vindo a crescer ano após ano, com exceção de 2008, quando perderam cerca de 20% do seu património. Em termos de oferta tem também vindo a crescer, já que nos últimos dez anos o número de produtos que têm sido lançados no mercado tem sido sempre superior ao dos encerramentos. Estes são dados da Eurekahedge, fornecedora de dados relativamente a hedge funds, com base em Singapura, que oferece de forma periódica, informação bastante detalhada relativamente à evolução da indústria de hedge funds a nível global.

Existem alguns dados básicos que os investidores devem conhecer para conseguirem ter uma noção daquilo que esta indústria representa. O primeiro é de que existem em todo o mundo, aproximadamente, 11 000 hedge funds identificados pela Hedge Funds Research. Quase metade destes (mais concretamente 46%) têm a sua sede nos Estados Unidos, país que durante os últimos seis anos tem conseguido manter intacto o seu domínio enquanto base de operações. Desde 2010, alguns países têm vindo a ganhar e a perder relevância neste sentido. O Reino Unido, por exemplo, enquadra-se no primeiro grupo. Em 2016, o número de gestores de hedge funds que elegeram o país como local para a sede, representava 20% do total, quando comparado com 18% nos seis meses anteriores. A Suíça ganhou, também, alguns pontos (que passaram dos 4% para os 6%), assim como o Luxemburgo (do 1% para os 3%). O país que mais perdeu enquanto nervo central foi o Brasil, que desceu dos 4% para os 2% neste período.

Se o local onde estes produtos estão domiciliados for analisado, o panorama é bastante diferente. Os Estados Unidos continuam como mercado hegemónico, mas com uma cota de 30%. Muito perto estão as Ilhas Caimão, com 27% dos hedge funds comercializados em todo o mundo domiciliados na colónia britânica. Contudo, este não é o único domicílio exótico. As Ilhas Virgens representam a jurisdição de 3% de todos os hedge funds do mundo, juntamente com as Bermudas, com 2%. Todos estes representam, atualmente, o domicílio de dois de cada três hedge funds. Contudo, existe um outro grande Pólo: o que representa a Europa, mais concretamente o Luxemburgo e a Irlanda, que, juntos, são locais de uma em cada quatro estratégias. O primeiro é o domicílio fiscal de 15% dos hedge funds que se comercializam em todo o mundo, e Dublin de 10%. Ambos têm vindo a ganhar poder atrativo, crescendo em força nos últimos anos, o que resultou do lançamento dos hedge funds em formato UCITS.

Outro aspeto básico a ter em conta nos hedge funds tem que ver com o tipo de filosofia de investimento que cada um segue. Dos mais de 11 000 produtos comercializados, 36% são estratégias de ações long/short. Esta é a categoria de produto mais abundante. Atrás desta categoria estão os multiestratégia (16%). Isto quer dizer que mais de metade dos hedge funds englobam pelo menos uma destas duas estratégias. Ainda que os mais comuns sejam os mencionados anteriormente, existem mais: CTA, gestores de eventos especiais, arbitragem e macro. Os seus clientes são, fundamentalmente, investidores institucionais e de elevado património líquido, que procuram, principalmente, estratégias que forneçam descorrelação para os seus portefólios. Neste sentido, importa analisar os resultados obtidos nos últimos cinco anos em cada um destas categorias de produto. A cinco anos, arbitragem e obrigações foram as únicas estratégias que geraram um rácio Sharpe superior a um. Foram ainda, juntamente com a global macro, as que obtiveram volatilidade e drawdowns mais baixas.

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Um outro dado importante é saber com quem operam os hedge funds. Os brokers com quem trabalham são, essencialmente, grandes bancos de investimento dos Estados Unidos e da Europa. Os cinco maiores intermedeiam até 70% das operações que executam. Goldman Sachs é a opção favorita, absorvendo 20% do total. A empresa ganhou 2,4 pontos de cota de mercado nos últimos cinco anos. Segue-se a J.P. Morgan, que neste período ganhou três pontos de cota, mais acima da Morgan Stanley no ranking, posicionando-se com 17,5%, de acordo com os dados da Eurekahedge. A Morgan Stanley passou para o terceiro lugar com 14,2%, dois pontos abaixo do que alcançou em 2011. O primeiro banco de investimento europeu a aparecer é o Credit Suisse. Neste momento a fatia do bolo que detém situa-se perto dos 10,6%, superior aos 8,3% de há cinco anos atrás. Situa-se à frente do Deutsche Bank e do UBS no ranking, que, neste momento, ocupam o quinto e o sexto lugar na ordem de preferências, respetivamente.

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