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Cuidado com as tentações!


Vivemos um período em que os ativos financeiros sem risco ou com pouco risco oferecem uma rendibilidade muito reduzida, em alguns casos perto de 0%. Os depósitos a prazo, os certificados de aforro, as yields das obrigações do tesouro são alguns desses exemplos. Os investidores mais conservadores habituados a fazerem investimentos neste tipo de produtos têm hoje grandes dificuldades em obterem rendibilidades atrativas.

Pode haver a tentação por parte destes investidores, como em ciclos de taxas de juro reduzidas ocorridos no passado, de fazerem investimentos que ofereçam mais rendibilidade mas cujo risco não é totalmente percebido por eles.

Por exemplo, produtos estruturados que oferecem uma taxa de rendibilidade mais elevada mas só em determinadas condições, sendo que estas dependem muitas vezes da evolução de ativos financeiros com risco (acções, câmbios, commodities, índices de acções…). Mesmo que esses produtos tenham uma cláusula de salvaguarda em termos de risco de capital, no passado muitos desses produtos deram rendibilidade nula, isto é, os investidores tiveram um custo de oportunidade do capital. Produtos a 1, 2 e 3 anos em média e que na maturidade deram 0% de rendibilidade.

A tentação não acontece somente do lado da procura de produtos com rendibilidades mais altas. Ela também ocorre do lado da oferta, isto é, por parte dos bancos.

Os investidores verdadeiramente moderados e dinâmicos não têm razões de queixa na atualidade, uma vez que os ativos financeiros com mais risco têm oferecido boas rendibilidades nos últimos anos e continuam com boas perspetivas em termos relativos com outros ativos financeiros.

O conselho que deixo aos investidores mais conservadores é que não caiam em tentações. Lá diz o ditado: “quando a esmola é grande, o pobre deve desconfiar”. É preciso ter paciência! O risco de um produto tem que ser bem percebido pelo investidor e a diversificação de investimentos é um requisito fundamental. Os fundos de investimento poderão ser uma alternativa credível para o momento atual, uma vez que existe uma diversidade de soluções para diferentes níveis de risco. Isto apesar de o FMI num recente estudo ter referido que está preocupado com o peso que a gestão de ativos financeiros tem atualmente (detendo 40% dos ativos financeiros a nível mundial) e ter recomendado que a supervisão sobre os fundos de investimento, especialmente os de grande dimensão, tem que aumentar.

Outra tentação é as famílias e as empresas endividarem-se, aproveitando as reduzidas taxas de juro. Uma família que vive num T2 e troca por um T3 reforçando a hipoteca e aumentando a dívida, ficando a pagar praticamente o mesmo que pagava há 1 ou 2 anos atrás. E quando as taxas de juro voltarem a subir? E as empresas nacionais que em muitos casos já estão sobreendividadas?

Cuidado com as tentações do dinheiro fácil e barato!...

(Imagem: spcbrass, Flickr, Creative Commons)