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Crédito mal parado continua a aumentar


Os bancos nacionais continuam a não sentir de forma vincada os sinais ligeiramente positivos da economia. Apesar de em termos da atividade creditícia, estarem a diminuir os spreads de risco às famílias e às empresas, nomeadamente a diminuição dos spreads no crédito à habitação, os bancos continuam a enfrentar uma continuada subida do crédito mal parado.

Se atendemos aos dados mais recentes do Banco de Portugal, o crédito mal parado (NPL – Non Performing Loans) subiu de 8,79% em Março para 9,06% em Abril. Em Abril de 2014 este indicador estava nos 7,95%.

Por segmento, o crédito mal parado estava em Abril de 2015 nos 4,44% nos particulares e nos 15,69% nas empresas.

Aliás, a evolução no mês de Abril foi das piores dos últimos tempos. Face a Abril de 2014, o crédito mal parado subiu 0,31% no segmento de particulares (passando de 4,13% para 4,44%) e 2,73% nas empresas (passando de 12,96% para 15,69%).

O novo crédito concedido em Abril pelo sistema bancário (3,5 biliões de euros) foi um dos valores mais baixos desde que o Banco de Portugal iniciou a divulgação deste valor (2003). Dos 3,5 biliões de euros, 1,6 biliões de euros destinaram-se a grandes empresas, 0,75 biliões de euros aos particulares e o resto às pequenas e médias empresas.

Do lado da poupança, a taxa de juro média dos depósitos a prazo das famílias desceu 0,01% em Abril para os 0,85% (metade do valor que estava em Abril de 2014). Mesmo assim, os depósitos subiram em Abril de 2015 1,84% face ao valor um ano antes.

Voltando ao crédito mal parado, a pressão sobre os bancos deverá continuar pelo menos até ao final deste ano. É provável que nos últimos meses do ano possamos assistir a uma estabilização. Mas, para tal seja possível, é necessário que os valores do crédito em risco não aumentem ou não se tornem crédito mal parado.

A evolução económica, nomeadamente a evolução do emprego com a desejada redução da taxa de desemprego é crucial nesta fase, bem como a melhoria da situação financeiras das empresas em geral. Um dos problemas estruturais ou crónicos do tecido empresarial português é o elevado endividamento das empresas, quer PME’s em geral como até algumas grandes empresas. 

Os anos do dinheiro fácil e “virtualmente” abundante que existiram antes da crise deixaram marcas que vão perdurar por mais alguns anos.

Portanto, confiança e otimismo são necessários mas nada de exageros. O endividamento das famílias e das empresas ainda é elevado e quando vejo as importações a subir 16%, fico logo a pensar: lá estamos nós a voltar ao mesmo!... 

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