Conseguem os fundos nacionais de ações americanas bater os surtos virais?


Dos vários surtos virais que ocorreram nas últimas duas décadas, a pandemia de COVID-19 é provavelmente aquela com maior alcance e impacto, quer em número de afetados, quer em geografias impactadas. No momento em que este artigo é publicado, os Estados Unidos da América é o país que trava a maior luta contra o novo coronavírus, que está a causar danos não só à saúde da sua população, como na saúde da sua economia. 

No exercício de tentar compreender como poderão os mercados do outro lado do Pacífico reagir a esta calamidade, analisamos o desempenho dos fundos nacionais de ações americanos ao longo das principais ocorrências de surtos virais do século XXI: SARS (2003), gripe das aves (2004), Ébola (surto do oeste africano de 2013) e COVID-19. Os fundos considerados para a análise são o BPI América (BPI Gestão de Activos), Santander Acções América (Santander Asset Management), IMGA Acções América (IM Gestão de Ativos) e Caixa Acções EUA (Caixa Gestão de Ativos), por serem os fundos desta índole que estavam em atividade ao longo das quatro ocorrências descritas. Como ponto de comparação utilizaremos a média da categoria Morningstar (US Large-Cap Blend Equity), com dados da Morningstar Direct a um de maio de 2020.

SARS e gripe das aves

Ao longo do surto de SARS, o coronavírus de referência anterior ao que enfrentamos atualmente, apesar do desempenho geral da categoria de fundos ter sido negativo, a seleção de fundos registou uma performance abaixo da média do peer group. Contudo, o mesmo já não aconteceu durante o surto de gripe das aves em que, apesar dos níveis consideráveis de volatilidade, a generalidade dos fundos registou rentabilidades acima da média da categoria, e apenas uma estratégia ficou no vermelho.

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Ébola e COVID-19

O surto de Ébola de 2016 incidiu sobre os países do oeste africano, por isso seria de esperar que o desempenho dos fundos de ações americanas não refletissem efeitos dessa ocorrência, fruto da exposição inexistente a esse mercado. Porém, ao longo deste surto os fundos desta seleção estiveram aquém do conseguido pela média do grupo, quer em níveis de rentabilidade, que ficaram abaixo, quer em termos de volatilidade, em que registaram maior desvio-padrão.

Por fim, na atual pandemia, todos os fundos se encontram no vermelho, a par do peer group. Não obstante, é possível identificar no gráfico os momentos exatos de queda do mercado, e inícios de março, e a recuperação que temos assistido desde então. Sem surpresa, é também nesta ocorrência que se registam os valores mais elevados de volatilidade. À data da análise, três dos quatro fundos considerados superam os seus pares em termos de rentabilidade. 

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Confira aqui as análises já publicadas ao desempenho dos fundos de alocação e fundos de obrigações em cenários de surtos virais.

 
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