Tags: Obrigações | Ações |

Confrontação comercial ou processo negocial?


No 1º trimestre de 2018 o termo mais utilizado pelos investidores para definir o comportamento dos mercados financeiros voltou a ser “volatilidade”.

Para avaliar o actual enquadramento, convém referir que, ao longo dos últimos anos, os mercados financeiros globais têm sido pautados por um invulgar dinamismo, traduzido no registo de novos máximos dos principais índices de acções e pela descida muito expressiva das yields do mercado obrigacionista, com a correspondente valorização dos respectivos índices de referência.

Esta “Pax Romana” dos mercados financeiros foi, em grande medida, potenciada pela intervenção “musculada” dos principais Bancos Centrais que, na sequência da crise financeira global, não se inibiram de utilizar todos os instrumentos de política monetária ao seu alcance. Ficou célebre a poderosa afirmação de Draghi: “Within our mandate, the ECB is ready to do whatever it takes to preserve the Euro. And believe me, it will be enough”. Neste contexto, assistimos ao longo dos últimos anos ao crescimento, moderado e sincronizado, dos principais blocos económicos, sem pressões inflacionistas. Os mercados não foram naturalmente insensíveis a este posicionamento, tendo demonstrado (até ao momento) extrema resistência aos diversos eventos económicos e geopolíticos potencialmente fracturantes (crise na zona Euro, Brexit, crescente endividamento global, Administração Trump, Coreia do Norte, Síria…).

Actualmente estamos confrontados com um processo de consolidação dos mercados financeiros, comum na fase mais avançada do ciclo económico, no qual os mercados absorvem a normalização das políticas monetárias (retirada gradual dos diversos estímulos monetários e consequentes subidas das taxas de juro directoras). No actual contexto geopolítico destacamos o agravamento do conflito Sírio e a aparente acalmia nas tensões sentidas entre o regime da Coreia do Norte e os EUA/Coreia do Sul. Igualmente de extrema relevância foram as medidas de proteccionismo económico comunicadas pela administração Trump. Devemos questionarmo-nos se estamos perante o início de uma confrontação comercial, com graves implicações no comércio global, ou corresponde a uma estratégia para o início de um processo negocial? A reacção extremamente adversa dos mercados e as pressões que rapidamente se fizeram sentir, poderão ter convencido a administração Norte Americana a assumir um posicionamento mais conciliador.

Apesar de todos estes aspectos contribuírem para a instabilidade dos mercados, dado o alcance e impacto que potencialmente têm no equilíbrio económico mundial, o nosso cenário central para 2018 na BMO GAM mantém a perspectiva de crescimento moderado e baixos níveis de inflação. Neste contexto será determinante a contribuição que a Europa (excluindo o Reino Unido) irá desempenhar para o crescimento global, uma vez terminado o processo de austeridade e (ainda) beneficiando do impacto das políticas monetárias expansionistas.

Relativamente ao posicionamento táctico global, apesar da redução da convicção e expectativas para o desempenho das principais classes de activos, privilegiamos globalmente a exposição a ações por contrapartida de obrigações. Consideramos que, apesar do movimento de subida generalizado dos mercados accionistas tornarem as valorizações da maioria das cotadas exigentes, o crescimento sustentado dos resultados das empresas, dados macroeconómicos e indicadores de confiança robustos serão determinantes para sustentar as actuais cotações. Geograficamente, a nossa preferência recai nas acções dos mercados Europeu (excluindo o Reino Unido), Japão e Mercados Emergentes.

Na componente obrigacionista temos dado preferência às emissões dos países periféricos da zona Euro, com particular destaque para as emissões de dívida pública nacional.

A referida normalização das medidas de política monetária por parte do BCE conduzirá inevitavelmente à subida das taxas de juro com o consequente “repricing” do mercado obrigacionista de Dívida Pública e Dívida Corporate da zona Euro.   

Profissionais
Empresas