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Condição política nacional não influenciou financimento nos mercados


Com o mercado expectante quanto ao rumo das políticas monetárias na Europa e nos Estados Unidos, os atentados da passada sexta feira em Paris, trouxeram o terrorismo de volta à agenda política (de onde nunca devia ter saído pois atentados terroristas têm acontecido todos os dias, um pouco por todo o mundo, nos últimos meses) fazendo também regressar o conservadorismo em termos de abertura de posições de risco, sentimento esse ligeiramente atenuado pela divulgação das actas da última reunião do FOMC.

Foram divulgadas as minutas do Fed e merecem destaque as posições de alguns membros do FOMC, que por serem de alas distintas parecem agora alinhar no mesmo tipo de postura:

Dudley, em teoria um dos membros mais brandos, fala como se o mercado não devessse ficar surpreendido caso o Fed suba taxas em dezembro. Só irá demonstrar o quão confiante está o Fed no novo ciclo de expansão económica.

(Imagem: Lorenmart, Flickr, Creative Commons)

Lockhart, mais moderado, e depois de ter apoiado a pausa em setembro, aguarda os dados que entretanto irão sair, afirmando que a pretensão da Fed em relação ao mercado de trabalho foi alcançada.

Lacker é sem dúvida o maior adepto de uma subida de taxas, clamando por taxas mais altas nos Estados Unidos faz muito tempo, o que ficou ainda mais reforçado desta vez.

O Fed deverá subir taxas em dezembro, o que não traduz exactamente uma surpresa, mas confirma o já descontado pelo mercado.

O sistema financeiro Americano parece ter resistido à turbulência nos mercados financeiros globais. A maioria dos participantes viu os riscos negativos decorrentes da evolução económica e financeira no exterior como tendo diminuído o que conjugado com boas  perspectivas da atividade económica doméstica, permite pensar em mudança de política monetária.

No mercado Português destaco esta semana o facto das emissões de dívida pública a 6 meses e 1 ano terem atingido o nível mais baixo de sempre.

O IGCP colocou 1.1 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro a 1 ano com uma taxa de juro média de -0,006%, emitiu também 400 milhões de euros em dívida a seis meses, a uma taxa de juro de -0,018%.

Temos pois aqui a prova que independentemente da instabilidade política em Portugal, o mercado está tão controlado pelo BCE que, mesmo nas actuais circustâncias as taxas batem mínimos históricos.