Como terão os primeiros sinais de alastramento do coronavírus influenciado a alocação dos fundos perfilados agressivos?


Fevereiro marcou o ponto de viragem na situação de pandemia que estamos a atravessar.  Tal como os gestores do Optimize Capital Reforma PPR Ativo resumem, “o mês de fevereiro iniciou muito bem, com os mercados acionistas entusiasmados com os bons resultados de 2019, contudo, a meio do mês, a proliferação massiva de novos casos de infeção do coronavírus fora da China, nomeadamente na Itália e Coreia do Sul levaram ao pânico geral em todas as classes de ativos, provocando quedas avultadas como há muito não se assistia”.

De que forma o “fator coronavírus” influenciou a alocação dos fundos perfilados agressivos nacionais? Utilizando a habitual distribuição dos fundos pelas três categorias de risco e com dados da Morningstar Direct, de fevereiro de 2020, analisaremos a evolução média da alocação dos fundos perfilados mais agressivos ao longo dos últimos dois anos focando-nos nas classes de ativos e geografias das carteiras médias dos produtos no segundo mês do ano.

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Neste contexto de pandemia, e como Ricardo Santos, gestor do NB Dinâmico da GNB Gestão de Ativos, indica “as quedas dos mercados desenvolvidos de ações foram superiores a 8%”. Contudo, a alocação a ações subiu em fevereiro embora tenha aumentado apenas 0,15%. Só três produtos nadaram contra a maré e diminuíram a exposição a ações: o Montepio Multi Gestão Dinâmica, o Optimize Capital Reforma PPR/OICVM Agressivo e o Popular Global 75.

Por sua vez, a alocação a obrigações aumentou 1.17% ascendendo 30,28%, valor que não era atingido desde setembro de 2019. O Santander Private Dinâmico, da Santander AM, foi o principal responsável por este aumento na média já que aumentou em 4,60% a alocação a obrigações. Da mesma casa gestora, o Santander Select Dinâmico, por exemplo, foi um dos fundos que mais mudanças teve na sua carteira. “Aproveitando o momento menos propício para tomada de mais-valias, a gestão do fundo rebalanceou a carteira, através da compra de futuros sobre o Euro Stoxx600 e de uma posição no fundo Vanguard European Stock Index”, conta Stefano Amato, gestor do fundo.

acionista

Ao examinarmos o gráfico referente à alocação geográfica da componente acionista podemos concluir que os valores se mantiveram praticamente estáveis. Não obstante, verificou-se uma ligeira descida na exposição a todas as geografias,  exceto à Europa Desenvolvida que subiu 0,74%.

O gestor do Santander Select Dinâmico, Stefano Amato, por exemplo, optou por se afastar da Ásia. “Atendendo à recente correção dos mercados a nível global, a gestão procurou reduzir o risco da carteira do fundo através da venda da posição no fundo FirstState Asian Equity Plus, fundo de ações da Ásia-Pacifico (excluindo o Japão), por esta ser uma região mais exposta ao mercado chinês – mais afetado pela propagação do coronavírus”.

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Na Optimize IP, relembram que, em fevereiro, no segmento obrigacionista “as generalidades das emissões de elevada qualidade creditícia apresentaram performances positivas, por outro lado, as generalidades das emissões high yield apresentaram desempenhos negativos”.

Tal como podemos observar no gráfico, a alocação a obrigações corporativas foi a que experimentou uma alteração maior face ao mês anterior, já que registou uma subida de 13,65% das carteiras médias em janeiro para 15,30% em fevereiro.

obrigacionista

No caso da componente de obrigações, a exposição à América do Norte e a Ásia Desenvolvida aumentaram 1,24% e 0,2%, respetivamente. As restantes geografias sofreram ligeiras descidas.

Relativamente à exposição à Europa Desenvolvida, apesar de ter caído 0,27%, ainda se mantém como o segundo valor mais elevado dos últimos dois anos.

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