Portugal e Luxemburgo: Como se tem distribuído o mercado da gestão de ativos nacional em 2020?


O peso de uma entidade gestora no mercado da gestão de ativos é fruto de diversos componentes. A sua história e reputação são fatores incontornáveis para a perceção de uma imagem de confiança por parte dos investidores, mas, no final do dia, a quota de mercado é uma função dos ativos geridos, que por sua vez estão à mercê de aspetos como a sua própria rentabilidade e dos fluxos para fora e para dentro dos fundos. Num ano especialmente marcado por dinâmicas intensas de resgates, e em que a turbulência dos mercados impactou os retornos de todas as classes de ativos, importa compreender como variaram as quotas de mercado das entidades gestoras nacionais.

Com base em dados da Morningstar Direct a 31 de abril de 2020, para o universo de fundos de casas gestoras nacionais domiciliados em Portugal e no Luxemburgo, é de constatar que muito pouco mudou desde o início do ano. Os sete lugares cimeiros permaneceram inalterados, com a Caixa Gestão de Ativos a ocupar a dianteira com quatro mil milhões de euros de ativos sob gestão. A diferença para as seguintes entidades em termos de património gerido é notória, com a BPI Gestão de Activos, IM Gestão Ativos e Santander Asset Management na casa dos dois mil milhões de euros de AuM. No final de abril, estas quatro casas geriam entre si cerca de 85% do património do universo dos fundos de investimento nacional contemplado na base de dados da Morningstar.

Porém, para além do lugar de destaque no ranking das quotas de mercado, a Caixa Gestão de Ativos também consegue outro primeiro lugar… menos positivo. Esta entidade foi aquela que testemunhou uma maior variação negativa na sua quota de mercado, com uma redução de -0,29 pontos percentuais face ao início do ano. No espectro oposto encontra-se a IM Gestão de Ativos, que assistiu a um aumento do seu peso no universo da gestão de ativos nacional em 0,65 p.p. De notar que nos referimos a uma diferença na quota de mercado e não no montante de ativos sob gestão.

Existe também um contraste entre a primeira e a segunda metade do ranking, já que é entre as oito entidades com menor peso no mercado que se dão mais subidas e descidas de lugar. Estas dinâmicas ocorrem sobretudo entre entidades com montantes de património muito próximos.

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Líquidos de liquidez

De forma a determinar o impacto que os instrumentos de gestão de liquidez ou extremamente defensivos podem ter nestas variações, repetimos a análise, mas desta vez excluindo os fundos da classe de ativos de mercado monetário e de muito curto prazo (categoria Morningstar Ultra Short-Term Bond). Em termos de ranking as alterações não são gritantes, com a Caixa Gestão de Ativos, BPI Gestão de Activos, Santander Asset Management e IM Gestão Activos a fecharem o Top 4, sem qualquer troca de posições entre as gestoras.

Contudo, uma diferença notória dá-se ao nível da variação da quota de mercado da entidade gestora do Grupo CGD. Ao contrário do que constatamos anteriormente, com a exclusão destes fundos, a Caixa Gestão de Ativos acaba por ganhar mais preponderância no mercado (um aumento de 0,18 p.p.). Em sentido contrário é a BPI GA que mais perde neste aspeto, com uma redução de 0,36 p.p. Novamente, o maior aumento continua a pertencer à IMGA, que vê a sua quota de mercado aumentar 0,53 p.p. para os 16,82%.

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