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Como se constrói uma carteira adiantando-se à sociedade do futuro


Numa era na qual o investimento em tendências se tornou num autêntico boom, há uma estratégia que apesar de estar concentrada no mercado de ações, tem muitas oportunidades para conseguir reduzir a volatilidade se a coisa se complicar no mercado, face ao medo de que a recessão deixe de ser um capítulo para ler no futuro e passe a ser um assunto do presente. Trata-se do investimento numa das tendências que mais possibilidades tem de ser cumprida a longo prazo, a do envelhecimento da população. Assim o dizem vários organismos, entre eles a OCDE que já avisou a nossa vizinha Espanha, o segundo país do mundo mais envelhecido logo a seguir ao Japão, o problema que isto acarreta para a sustentabilidade das pensões. Mas não é um problema só de Espanha já que segundo o Forum Económico Mundial, no mundo passaremos a contar de oito trabalhadores por cada dependente, para apenas quatro em 2050.

Não é de estranhar, portanto, que um dos sectores com maior presença nas carteiras de fundos siga esta tendência, seja o sector da saúde, um dos sectores mais sobrepoderados neste momento pelos gestores de fundos, em conjunto com as utilities e o consumo, segundo o último inquérito a analistas publicado pela Fidelity, é o único outro sector que mostra uma melhora de sentimento já que nenhum dos analistas consultados pela gestora considera que o sector esteja em fase de desaceleração.

Este desvio defensivo é o que reivindica Annetta Wynimko, gestora do FF Global Demographics Fund. Este produto compõe a sua carteira com base em três fatores chave: o envelhecimento, o crescimento populacional e o aumento da classe média a nível global, que esta gestora espera que “passe dos 3.200 milhões atuais para os 5.200 em 2028, sendo que a maior parte desse aumento será nos países emergentes”.

Vendo que dois dos fatores nos que se apoia este fundo estão precisamente nos mercados, podíamos pensar que, longe de ser um fundo defensivo, é um fundo muito cíclico e, portanto, muito dependente do ciclo económico. Mas Wynimko  explica porque é que esta é uma ideia errada. “A forma como a carteira está construída tem duas partes. Por um lado é verdade que, ao estar exposto a mercados emergentes, está também exposto ao crescimento global, mas por outro lado tem um alto componente em empresas do sector da saúde pelo que conta com um carácter defensivo”. De facto, os sectores mais sobreponderados na sua carteira são o da saúde e o do consumo, enquanto subpondera matérias primas, bancos e energéticas, cuja evolução costuma estar ligada aos ciclos económicos.

O mesmo acontece com outros produtos que também centram as suas miras nas mudanças populacionais que acontecem na sociedade para compor as suas carteiras e cujo desvio defensivo é ainda maior já que se centram, sobretudo, no envelhecimento da população e não tanto no crescimento da mesma nos mercados emergentes.

Ao fim e ao cabo, segundo o relatório de perspetivas da população mundial elaborado pela ONU, espera-se que o número de pessoas com mais de 60 anos duplique até 2050 e que passe dos 962 milhões atuais para os 2.100 milhões. E é de esperar que essa população envelhecida cada vez mais procure serviços ligados à saúde, mas não só.  A este respeito, o Bank of America publicou há uns anos um relatório intitulado The Silver Dollar – Longevity Resolution Premier onde analisa os sectores nos quais teria mais impacto o envelhecimento da população e, além do da saúde, encontram-se também o sector do consumo e também o sector financeiro com as seguradoras e as gestoras de ativos como grandes protagonistas.

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