Como se comportam as boutiques em tempo de volatilidade


Em tempos de volatilidade, a melhor opção foi pensar em pequeno; apostar na gestão especializada de uma boutique. São as conclusões do último estudo do Affiliated Managers Group. A entidade atualizou o seu mítico relatório próprio, The Boutique Premium (2015 e 2018), onde já refletiam um prémio de rentabilidade que geraram as pequenas empresas a longo prazo, e puseram-no à prova em períodos de alta volatilidade nas ações.

O estudo analisa os últimos 20 anos de histórico (até fecho de dezembro de 2019) e extrai três conclusões:

  • As boutiques ativas e independentes tiveram melhores resultados do que a gestão indexada e as gestoras não boutiques durante períodos de alta volatilidade.
  • Nestes picos de volatilidade, o rendimento superior face aos índices deu-se de forma consistente ao longo de todas as categorias de ações.
  • O maior ponto-forte do contexto gerado deu-se nas categorias de ações globais, ações emergentes e ações de pequena capitalização.

Esta outperformance vê-se muito bem em dois períodos de volatilidade intensa: na crise da bolha das dotcom (2000-2003) e na crise financeira global (2008-2011). Como se pode ver nos gráficos seguintes, em ambos os casos o retorno acumulado bruto (sem descontar comissões) é maior nas boutiques. 25% superior aos seus índices durante a bolha tecnológica e 5% após a crise financeira.

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Como se pode observar nos seus primeiros estudos (tanto na versão de 2015 quanto na atualizada em 2018), as boutiques independentes tiveram um desempenho melhor que os índices e outras gestoras de ativos a longo-prazo. Mas este novo relatório reflete o facto de o excesso de retorno ser ainda maior em períodos de maior stress de mercado. Se durante as duas décadas analisadas o retorno superior em relação aos seus índices é de 82 pontos base em média (líquido de comissões), tendo só como referência momentos de alta volatilidade (VIX acima de 20), dispara em média 241 pontos base.

Conforme interpretam os autores, isto responde a dois fatores. Em primeiro lugar, os retornos das boutiques independentes foram mais resistentes durante as crises do mercado. Em segundo lugar, durante as recuperações que se seguiram às quedas do mercado superaram as não-boutiques e os índices por uma margem maior. Isto é, caíram menos e subiram mais.

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Em todas as 11 categorias de ações analisadas, as estratégias das boutiques geraram excesso face aos índices durante períodos de alta volatilidade, e esse excesso de retorno é mais percetível em alguns segmentos das ações. Nas ações globais, a média de retorno adicional líquido foi de 357 pontos base; mais do dobro do que durante um período normal. A outperformance também cresce até aos 305 pontos base nos mercados emergentes. Esta é uma tendência geral em ações de pequena capitalização.

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Comparando com as estratégias das grandes gestoras, também há um excesso de retorno, exceto na categoria de empresas de média capitalização com um viés growth.

Mas o mais importante para o estudo é a consistência com a qual essa outperformance ocorreu. A estratégia média das boutiques superou o seu índice líquido de comissões na maioria dos anos de elevada volatilidade nas 11 categorias. E são muito consistentes em ações globais, ações emergentes e, novamente, em ações de pequena capitalização dos EUA em geral.

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Metodologia: o estudo analisa o rendimento de boutiques, gestoras não boutiques e índices ao longo de vários ciclos de mercado durante os últimos 20 anos. Tiveram em conta 11 categorias de ações, mais de 1.300 empresas de gestão individuais, com mais de 5.000 estratégias institucionais de ações que representam sete biliões de dólares em ativos sob gestão. A volatilidade foi medida através do índice Chicago Board Options Exchange (CBOE) Volatility Index (VIX). Os períodos de alta volatilidade entendem-se como momentos onde o VIX médio anual superou os 20 pontos. Pode ler o estudo completo aqui

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