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Como são geridas as revisões de índice e saídas de empresas de bolsa?


Este ano conta já com duas revisões do índice de referência da bolsa portuguesa e uma saída, alterações que têm impactos, embora diferentes, nas carteiras dos fundos de investimentos e que podem obrigar a repensar e alterar portfolios. Como lidam os gestores com estes cenários?

Catarina Quaresma Ferreira, que gere o BPI Portugal, começa por referir que as “revisões regulares do PSI 20 não originam alterações automáticas da carteira”, até porque existem limites ao peso máximo de cada título (10%) e à percentagem do portfolio com títulos com ponderação superior a 5% (40%).

Separando os tipos de gestão dos fundos, Nuno Marques, da Banif GA, salienta que “há que ter em consideração os produtos de gestão passiva e de gestão activa”. No caso dos primeiros, os gestores “terão de comprar ou vender as acções que viram o seu peso alterado na carteira do respectivo índice”. Quanto aos fundos com gestão activa, independentemente de o gestor ter uma visão quantitativa ou qualitativa, haverá “sempre uma decisão de investimento”; o movimento ‘natural’, refere, é o equivalente ao dos produtos de gestão passiva (comprar o que entra, vender o que sai), “mas se a visão sobre uma determinada acção envolvida neste processo de rebalanceamento de índices for muito marcada levará a um aumento do risco activo do fundo, que poderá passar por não aumentar e/ou reduzir posições”, sublinha o gestor da Banif Gestão de Activos.

Saída de empresas de bolsa

No caso das saídas de empresas – por exemplo a Brisa deixou de estar listada em meados de Abril -, os impactos são tendencialmente mais significativos. Paulo Monteiro, da Invest Gestão de Activos refere que, como o fundo que têm foca-se sobretudo em médias empresas, não seguem o índice, mas tomam “naturalmente atenção às entradas e saídas. Quando se dá uma saída há uma redução dessa posição ou venda total” da mesma.

No caso de se tratarem de empresas com peso relevante na carteira, destaca Catarina Quaresma Ferreira, “a gestão é obrigada a repensar e reformular o portfolio, tendo como objectivo encontrar oportunidades de valor que substituam o desinvestimento decorrente dessa situação”.

Quando as empresas saem de bolsa “tipicamente os gestores de fundos tentam vender essa posição”, refere Nuno Marques, sublinhando que, do ponto de vista do accionista minoritário (onde os fundos se incluem), “não parece que seja vantajoso deter activos não transacionáveis em bolsa dada a perda de visibilidade dessas empresas e a flexibilidade perdida na gestão dessa posição específica”.

O caso dos ETFs

Para os ‘exchange traded funds’ (ETFs) e para os fundos com baixo ‘tracking error’ face ao ‘benchmark’, alterações como a revisão do índice e a saída de empresas têm “um forte impacto”, pois estes têm de cumprir com os limites pré-estabelecidos na composição do índice e assim acompanhar muito de perto estas alterações, refere José Barroso, da Popular Gestão de Activos. “Como temos uma gestão mais activa não nos preocupamos tanto com a composição do ‘benchmark’ e temos mais liberdade de acção face a estas alterações”.

Contudo, analisando os impactos que as mudanças referidas têm tido, salienta que “estes efeitos têm aumentado de dimensão no mercado em virtude do aumento do volume sob gestão em ETFs e outras estratégias passivas a que temos assistido nos últimos anos no mercado de gestão de activos”.

Este ano foram concretizadas duas revisões do PSI 20,  a primeira em Março com a saída do ESFG e a entrada da Novabase, e a segunda ontem, com a inversão de papéis entre estas duas cotadas. Em meados da Abril, a Brisa deixou de estar listada na bolsa portuguesa.

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