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Como é que os multiativos podem ajudar a reduzir as alterações emocionais no processo de investimento


O efeito manada, o excesso de confiança, os sistemas de retroalimentação… todas estas são alterações que os investidores apresentam na hora de tomar decisões de investimento que nem sempre são as mais acertadas. As finanças comportamentais recolheram consideravelmente estes e outros comportamentos, analisando o seu impacto no mercado e cada vez mais gestoras incorporam as conclusões destas análises no seu próprio processo de investimento. Agora, a Allianz Global Investors acaba de publicar um estudo em que oferece uma solução aos investidores para os ajudar a investir de uma forma menos emocional e mais racional: fazer uso dos multiativos.

Os analistas da Allianz Global Investors estudaram as tendências vistas nos fluxos de fundos de investidores domésticos registados entre janeiro de 2002 e maio de 2017 nos EUA e na Europa (inclui Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Morningstar, Broadridge/Lipper). A gestora conclui que nestes 15 anos, os fluxos líquidos de dinheiro que se dirigem a fundos multiativos subiram para 870.000 milhões de euros. Seguiram-lhes os fundos de obrigações (504.000 milhões de euros), os de ações (44.000 milhões de euros) e os de outras categorias (220.000 milhões de euros).

Por outras palavras, o que estes valores de fluxos indicam é que, por exemplo, um em cada dois euros investidos na Europa nos últimos 15 anos destinaram-se a fundos mistos ou multiativos. Isto deve-se ao facto de na “Europa, os fundos multiativos não serem um substituto de outro tipos de fundos, mas sim uma classe de ativos em si: os fluxos de entrada nestes fundos correlacionam-se apenas com os fundos de obrigações ou de ações, por exemplo”, explica Hans-Jörg Naumer, diretor de análise de mercados da Capital Globales e Análise Temática na entidade. Este acrescenta que “os investidores parecem utilizar fundos multiativos de forma muito seletiva para gerir a sua alocação de ativos, como se pode ver nas sobreponderações e subponderações relativas baseadas em fluxos de fundos”.

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Conclusões

Os analistas da Allianz Global Investor repararam que, de todas as categorias de investimento (tiveram em conta ações, obrigações, monetários, alternativos, multiativos, real estate e matérias-primas), aquela que apresentou um comportamento mais estável é a dos multiativos. “A nossa investigação mostra que as entradas líquidas em fundos multiativos mantiveram-se estáveis durante as fases bull market e bear market, proporcionando aos investidores uma forma efetiva de adquirir autodisciplina, já que se comprometem a vincular-se a uma estratégia estável, explica Hans-Jörg Naumer.

Da entidade indicam que a maior procura de fundos mistos reflete-se não só no tamanho dos fluxos, como também nas posições. Ou seja, nas alocações gerais dos investidores, como indica a distribuição dos ativos em ações, obrigações, instrumentos do mercado monetário, alternativos e naturalmente, fundos de multiativos. O caso da Alemanha é particularmente evidente: durante o período estudado, a presença de multiativos em carteiras de investidores alemães aumentou de 12% para 32%. Os dados europeus refletem um crescimento de 5% até 26%.

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Em contrapartida, a proporção do uso de fundos multiativos é inferior nos EUA, embora também tenha registado um crescimento: se em 2002 apenas 6% das carteiras tinham alocações a fundos multiativos, atualmente trata-se de um total de 13%. O fluxo total relativamente a multiativos atinge os 1.139 milhões de dólares; esta proporção é inferior à europeia devida à preferência histórica dos investidores de retalho norte-americanos em atribuir uma posição substancial do seu dinheiro às ações (2,1 milhões de milhões de dólares) e às obrigações (2,06 milhões de milhões de dólares). Assim, o estudo constatou que os fluxos relativos a multiativos nos EUA avançaram muito lentamente, de 6% de 2002 a 13% do ano passado.

Para onde se dirige a inovação?

A reflexão que fazem a partir da gestora é de que a diversificação continua a ser um elemento-chave para a gestão da carteira, embora “a diversificação da carteira tradicional tenha um defeito principal: parece falhar quando é de facto  necessária, ou seja, nas turbulências severas do mercado.” Visto q que o mercado está a tentar adaptar-se a uma nova ordem económica – mais crescimento, mais inflação, mais normalização monetária, mais volatilidade -, da entidade consideram que “a procura de novas soluções adquire ainda mais urgência”.

A resposta da empresa centrou-se no trabalho numa nova gama que oferece mais flexibilidade: “Acreditamos que a introdução de estratégias dinâmicas de alocação de ativos numa carteira pode ajudar os investidores a gerir estes riscos bem como proporciona uma nova fonte de rentabilidade para além da seleção e da alocação tradicional”, explica Thomas Zimmerer, diretor global de especialistas em produtos multiativos. Este acrescenta que o componente dinâmico ajudará a “superar as limitações da diversificação estática”.

Trata-se de uma gama de fundos multiativos que emprega um processo de investimento que identifica e responde às tendências dentro e através das classes de ativos com três abordagens diferentes. A primeira abordagem procura a melhoria da dinâmica de beta que se emprega nas carteiras Allianz Dynamic Multi Asset Strategy; o seu objetivo é a melhoria do rendimento e a mitigação de riscos em momentos de stress de mercado severo e sustentável.

A segunda abordagem procura uma paridade de riscos dinâmicos; os parâmetros de alocação refletem-se em ponderações de risco por oposição a ponderações de ativos. A terceira abordagem é denominada alfa dinâmico (futuros geridos), e tem como objetivo gerar alfa puro a partir de tendências de classe de ativos sem um contexto beta estratégico; funciona como um diversificador adicional no segmento de alternativos líquidos em carteira.

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