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Como é que os planos dos bancos centrais mudaram por causa do Brexit?


Depois do triunfo do Brexit os bancos centrais mostraram-se claramente dispostos a fazer o necessário para estabilizar o sistema financeiro. “Se as turbulências se mantiverem é muito provável que algum tipo de resposta coordenada, venha acompanhada do rally correspondente. Dito isto, os investidores não devem esperar medidas drásticas a curto prazo, pois os políticos precisam de manter as suas opções abertas e ser demasiado agressivo pode ser contraproducente. O BCE tomará medidas se for necessário, enquanto que o Banco Nacional da Suíça tem intervindo no mercado de divisas para debilitar o franco a menos de 1,05 por euro e pode considerar levar as taxas de juro para níveis ainda mais negativos. Por seu lado, o Banco do Japão enfrenta o mesmo problema de ter que recorrer a estímulos monetários adicionais para debilitar a sua divisa. Pode ser o primeiro banco central que coloca em marcha a estratégia do helicopter money”, assinala Luca Paolini, estratega chefe da Pictet AM.

A forte valorização do yen depois do voto a favor do Brexit poderá ser o último detonante de novas medidas expansivas no país do Sol Nascente. “As expectativas de inflação japonesas já estão a cair e este processo poderá ter um renovado ímpeto devido à força do yen. É bastante provável que se produzam mais descidas de taxas de juro, um novo movimento ascendente da curva de riscos e um aumento no ritmo de compras de ativos”, dizem da NN Investment Partners. Nos Estados Unidos as expectativas também mudaram. Os mercados já tinham descartado antes do referendo britânico uma subida das taxas pela Fed para este ano e agora as expectativas têm sido adiadas ainda mais.

“Na sua última reunião manteve uma postura acomodatícia e aponta para um caminho de subidas mais progressivas”, assegura Richard Turnill, diretor Mundial de Estratégia de Investimento na BlackRock. Cada vez mais entidades acreditam que a probabilidade de que o banco central suba as taxas de juro em dezembro é cada vez mais reduzida. As projeções dos membros da Fed converteram-se num importante foco de atenção dos mercados, dado o papel que têm tido os bancos centrais na economia desde a crise financeira de 2008. Os membros da autoridade monetária presidida por Janet Yellen dão a sua opinião sobre onde estarão as taxas de juro nos próximos 2-3 anos, assim como as suas perspectivas a longo prazo. A mediana da projeção das taxas de juro a longo prazo alcançou um mínimo histórico de 3%, depois de uma descida de 0,25%, no seguimento das suas projeções de março.

“Parece que a Fed acredita cada vez mais numa nova normalidade de uma inflação mais baixa, menor crescimento e, portanto, com taxas de juro mais baixas. Mas os investidores esperam que as  taxas se mantenham ainda mais baixas durante mais tempo, situando-se abaixo de 1% no final de 2019”, indicam da J.P. Morgan AM. Cada vez mais entidades estão a contar que os bancos centrais continuem com as suas políticas acomodatícias, acreditanto até que chegarão a expandi-las depois do Brexit. No Reino Unido isto é mais do que provável. O Banco de Inglaterra, possivelmente, começará em breve a aplicar uma política expansiva. Na verdade, já anunciou medidas nestes sentido. Para além de injetar liquidez no sistema financeiro a curto prazo, também se espera que corte a sua taxa de juro oficial dos 0,5% atuais, até, muito provavelmente, aos 0%, embora  também não se possa descartar o retorno das medidas de flexibilização quantitativa.

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