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Como é que as mudanças climáticas podem impactar a política monetárias dos bancos centrais


Falar de mudanças climáticas costuma estar associado a pensar no impacto que as más práticas de hoje quanto à preservação do meio ambiente podem ter no futuro. Mas Laetitia Baldeshi, responsável de estudos e estratégia da CPR AM e Juliette Cohen, estratega da mesma gestora, destacam num artigo com o título “Climate Change: from fantasy to reality” o impacto que as mudanças climáticas têm na economia, não na do futuro, mas na do presente. “A forte volatilidade nas taxas de crescimento do PIB em alguns países deve-se a eventos climáticos atípicos, o número dos quais aumentou de forma surpreendente. Por exemplo, a queda da produção industrial alemã no outono de 2018 pode dever-se às condições meteorológicas. Outro exemplo é o impacto significativo do clima no crescimento japonês no verão de 2018”, afirmam as autoras.

A respeito da Alemanha, a chamada locomotora da Europa, as autoras recordam que 2018 não só foi o mais quente para o país desde 1981 como também foi o mais seco, o que reduziu para mínimos as reservas de rios importantes como o Rhin, por onde se transportam 10% dos bens da Alemanha. “O Instituto para a Economia Mundial, um think thank alemão, estima que todas as interrupções causadas pelo baixo caudal do Rhin diminuíram 0,2% o PIB no terceiro trimestre e 0,1% no quarto. Isto sugere que a economia alemã não se teria contraído no terceiro trimestre se não fosse por causa dos efeitos climáticos”, referem.

E esse impacto que já se está a ver no presente pode ir aumentando se não se aprofundar a luta contra as mudanças climáticas. De facto, no último Fórum Económico Mundial Kristalina Georgieva, CEO do Banco Mundial afirmou que um aumento de 2,5 graus nas temperaturas provocará uma descida de 15% do PIB mundial e que com uma subida de três graus se pode perder 20% da riqueza global.

Outro exemplo dessa influência na economia foi mostrado pela BlackRock, que realizou um estudo a partir dos dados do Rhodium Group para estimar o impacto financeiro que podem ter as catástrofes naturais (furacões, inundações...) na economia dos EUA se continuarem a crescer os riscos associados às mudanças climáticas e, como se vê no mapa, as áreas que estão a vermelho são as que estão mais expostas a uma contração económica em caso de não se realizarem ações para combater o risco que representam as mudanças climáticas. “Cerca de 58% das áreas metropolitanas dos EUA poderão enfrentar perdas do PIB de mais de 1% até 2080 enquanto menos de 1% das áreas vão conseguir aumentos semelhantes no PIB, segundo as nossas estimativas”, mencionam na gestora.

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Esse impacto negativo que as mudanças climáticas podem ter (e já tem) nas economias será a chave para saber para onde evoluem as políticas monetárias dos bancos centrais no futuro. Ao fim e ao cabo, é sustentar o crescimento económico e a inflação que a ele se associa o que está por trás dos mandatos dos bancos centrais e da bateria de medidas não convencionais e taxas a 0% que anunciaram estes organismos.

Além disso, segundo referem Baldeshi e Cohen, “as mudanças climáticas também afetam os preços dos bens e serviços (pela influência que tem o tempo das colheitas) e sobretudo afeta o crescimento e potencial de crescimento das economias. Os bancos centrais claramente têm de vigiar o impacto da queda da economia que as mudanças climáticas implicam. A política monetária terá de desempenhar o seu papel e fomentar um reequilíbrio gradual nas estruturas de preços, de acordo com o seu mandato de estabilidade dos preços”.

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