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Como é que as estruturas acionistas mudaram o asset allocation das carteiras seguradoras


Como lhe mostrámos recentemente, a evolução do asset allocation das carteiras de operadores seguradores está diretamente relacionada com as alterações introduzidas no âmbito do regime de Solvência II. No último relatório da ASF relativo ao setor Segurador e dos Fundos de Pensões, com dados de 2017, é demonstrado como é que a tendência geral da evolução do asset allocation também foi diferenciada consoante as “alterações ocorridas no controlo do capital das empresas de seguros”.

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Conforme visível no gráfico acima, “ainda que o aumento da representatividade da dívida pública e a redução da dívida privada tenha sido transversal a todos os subconjuntos de operadores, a sua magnitude foi distinta”. Relativamente às empresas que “não registaram alterações ao nível do controlo do seu capital, essa tendência foi magnificada – quase 29 pontos base em ambos os sentidos”. Por outro lado, tal como evidenciado no relatório, “este conjunto de operadores reduziu a já de si baixa exposição aos mercados acionistas, adotando uma postura mais conservadora do que o mercado”.

Por outro lado, relativamente às empresas que tiveram alterações ao nível da entidade/grupo controlador, a tendência foi distinta. “Tiveram uma redução da exposição a obrigações corporate inferior à tendência geral, tendo, em compensação, registado uma quebra superior no investimento em ações e obrigações estruturadas”. Contudo, de realçar uma nota importante. “Este subconjunto encontrava-se mais exposto a estas duas últimas classes de ativos do que a generalidade do mercado em 2007 – respetivamente, 8,9% e 16,3% – tendo a mudança de acionista coincidido com esta mudança de estratégia de asset allocation”. Por fim, relativamente às empresas envolvidas em operações de concentração de mercado, a ASF observou “um aumento mais comedido em obrigações soberanas (+18,7 pontos percentuais), tendo, em seu turno, aumentado de forma relevante a exposição ao risco acionista (+10,1 pontos percentuais)”.

A mesma análise, mas enfocando no setor da entidade/grupo económico controlador mostra ainda outras conclusões.  Segregando as empresas que permaneceram na esfera de grupos seguradores ou mutualistas, e as empresas que se mantiveram sob controlo de instituições do setor bancário ou que transitaram destas para conglomerados financeiros ou fundos de private equity, – observam-se panoramas distintos.

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Ambos os conjuntos registaram uma transferência superior a 20% do portefólio de obrigações corporate para títulos de dívida pública, embora os respetivos pontos de partida sejam bastante distantes. “De facto, as empresas sob influência do setor segurador têm demonstrado maior preferência pelas obrigações soberanas já desde 2007 (30,8% vs. 14,7%)”, pode ler-se no documento.

Constata-se também que as Instituições bancárias, conglomerados financeiros e private equity apresentava já em 2007  “uma maior exposição ao mercado acionista já em 2007, tendo-a reforçado de 7% para 10,8%”. Nesta classe de ativos, um comportamento em sentido oposto é protagonizado pelos grupos seguradores mutualistas, que reduziu a sua já diminuta “representatividade de 3,2% para 1,2%”, nas ações. Em contrapartida, é registado um aumento na representatividade dos fundos de investimento superior à tendência geral do mercado, evidenciando, inclusivamente, em 2017, uma maior exposição a fundos que o outro grupo de empresas considerado.

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