Como algumas pequenas regiões emergentes podem ser as vencedoras desta guerra comercial


Os mercados a nível mundial estão a derreter como consequência do impacto colateral na economia que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China terá. As duas grandes potências estão a colocar barreiras à exportação de um lado e de outro do mundo, mas até neste desastre há vencedores inesperados. Os bens terão de encontrar vias alternativas e a resposta poderá estar numa rota que remonta ao ano 430 A.C.

Uma das medidas da abertura internacional da China foi o impulso em 2013 da antiga Rota da Seda (Belt and Road Initiative). Até esse momento, o país tinha crescido à moda antiga: impulsionando o gasto em infraestrutura e exportando bens industriais a baixo custo. Isso gerou falhas no sistema, como a lacuna entre o desenvolvimento das zonas costeiras do país face ao interior, assim como os problemas de poluição que as grandes cidades enfrentam. “A China quer agora subir na cadeia de valor, exportar bens industriais de alta gama”, explica Yifei Ding, gestor na entidade.

O país iniciou um projeto de apoio às regiões ao longo da antiga Rota da Seda através de um financiamento abrangente. Segundo estimam da Invesco, o país irá investir cerca de 150-200.000 milhões de dólares por ano na iniciativa. E nesse impulso, a Invesco encontra aí uma oportunidade de investimento.

Temáticas de investimento

Curiosamente, a tensão atual geopolítica é um vento a favor do fundo. Tanto a guerra comercial – já que os Estados Unidos e a China deverão encontrar vias alternativas e novos compradores – como o Brexit, já que o Reino Unido também deverá reconstruir as suas relações comerciais. E aqui entram em jogo certos países emergentes em África, Europa e Médio Oriente.

São regiões que já estão a beneficiar economicamente de investimento direto dos Estados Unidos, Europa, Reino Unido e Japão. Theresa May declarou que quer que o Reino Unido seja o maior investidor na África de entre o G7. Por outro lado, a Comissão Europeia propôs aumentar em 60.000 milhões o financiamento para o impulso da conetividade entre a Europa e a Ásia. São apenas dois dos vários exemplos que assinalam da Invesco.

Oportunidades de investimento

Países como o Gana melhoraram o seu perfil de crédito graças ao apoio, primeiro da China, mas que agora o mercado em geral está a reconhecer. “O seu spread de dívida estreitou 500 pontos base nos últimos dois anos. E é uma tendência que irá continuar”, comenta Yifei Ding.

O gasto em infraestruturas derivado da Rota da Seda é imenso. Foi o que permitiu criar uma ligação ferroviária direta entre a China (Chengdu) e a Áustria (Viena). Isto é uma oportunidade de investimento em emissores de empresas locais de setores de telecomunicação, construção, etc. Como também o é o desenvolvimento de oleodutos e gasodutos que ligam a Ásia central à China. Há empresas alemãs que ganharam contratos para construir geradores, gestão de energia, etc. no país.

Outra temática que o fundo identifica é o aumento do consumo nestes países emergentes devido a uma maior riqueza na zona. Mas também notam melhorias dentro da própria China. “A zona oeste da China tornou-se num hub energético e ferroviário nos últimos anos ao ligar os países ao oeste e ao sudeste da China”, aponta Yifei Ding.

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