Como a crise dos ARBF está a afetar o resto dos fundos da GAM


A crise de reputação sofrida no verão passado pela GAM devido às más práticas realizadas por um gestor na sua gama Absolute Return Bond Fund (ARBF) está a ter um impacto muito limitado no resto do negócio da gestora. Além da perda patrimonial que a liquidação destas estratégias de retorno absoluto gerou à entidade, a empresa suíça está a conseguir manter a confiança dos investidores. Embora seja certo que – segundo dados da Morningstar – a GAM é a entidade que mais saídas de dinheiro registou na Europa no terceiro trimestre do ano, o contágio ao resto dos produtos que comercializa foi muito suave.

De acordo com os dados publicados pela GAM, 73.400 milhões de francos suíços que a entidade geria no final de junho em fundos não pertencentes à gama ARBF passaram para 66.600 milhões no dia 30 de setembro. Ou seja: a perda patrimonial no terceiro trimestre do ano – quanto a crise rebentou – apenas alcançou os 6.800 milhões. Desse volume, 5.300 milhões correspondem a saídas líquidas de dinheiro, enquanto que outros 1.500 milhões são imputáveis ao efeito de mercado. De todas as categorias de produto que a entidade comercializa, as estratégias de obrigações foram as que mais reembolsos líquidos registaram neste período.

No dia 30 de junho a GAM mantinha 38.600 milhões de francos suíços em estratégias de dívida. Três meses depois, esse valor tinha reduzido em 3.300 milhões, para os 35.300. Dessa redução patrimonial, 2.600 milhões foram reembolsos líquidos, enquanto o resto (700 milhões) são explicados pelas quedas sofridas pelo mercado. As saídas mais importantes aconteceram no GAM Credit Opportunities, produto que investe em dívida subordinada com grau de investimento, e no GAM Local Emerging Bond, focado em dívida emergente em divisa local, um segmento de mercado que se viu muito tenso como consequência da subida de taxas nos EUA e os efeitos da guerra comercial.

Em ações, o volume patrimonial gerido pela GAM baixou de 12.500 milhões para 11.000 no terceiro trimestre do ano. Desses menos 1.500 milhões, 1.100 correspondem a saídas líquidas de dinheiro, enquanto outros 400 se devem ao efeito de mercado. Neste caso, os fundos que mais fluxos de saída registaram foram o GAM Japan Equity e o GAM Star Continental European Equity. Em multiativos, a diminuição em ativos alcançou os 700 milhões no trimestre. É tudo praticamente imputável às saídas de dinheiro em mandatos institucionais na Suíça. Por último, estão as estratégias de gestão alternativa, que vieram a reduzir o seu património em 500 milhões (concentrando as saídas no GAM Commodity Fund e no seu fundo de hedge funds).

Apenas uma tipologia de produto conseguiu resistir. Trata-se dos fundos sistemáticos, estratégias que não perderam ativos e se mantiveram nos 4.600 milhões. De facto, no terceiro trimestre do ano captaram 100 milhões, os quais se viram neutralizados pelos 100 milhões que perderam pelo efeito de mercado.

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