Começam a ser publicados os primeiros resultados empresariais pós Covid-19: o que podemos esperar?


Se estivéssemos numa situação normal, esta semana seria uma daquelas em que os mercados de ações dançariam ao som da campanha de resultados que como é habitual deu o seu pontapé de saída nos EUA. Mas a normalidade desapareceu há mais de um mês, com a expansão do Covid-19 e com as medidas de confinamento aprovadas em grande parte do mundo. Agora esses mercados que há apenas meses se moviam tendo em conta as perspetivas de crescimento económico, a guerra comercial ou os aspetos fundamentais das empresas, só respondem às novas medidas de estímulo fiscal ou monetário que anunciam os Governos e bancos centrais e, sobretudo, a progressão da extensão do vírus para determinar qual será a letra do abecedário (U, V, W, L…) que determinará a recuperação económica, quando esta chegar.

Não obstante, até que se clarifique o quão profunda será uma recessão mundial que poucos duvidam que aconteça, a publicação dos resultados empresariais do primeiro trimestre pode ser uma boa amostra do efeito que o vírus está a ter na economia. Contudo, é previsível que estes resultados ainda não mostrem a pior cara do Covid-19 já que, como explica David Lafferty, economista chefe da Natixis IM, “os resultados corporativos do primeiro e segundo trimestres oferecem mais margem para as surpresas negativas dos que para as positivas”, afirma. E isso notar-se-á nos mercados em queda, anulando assim parte da recuperação das ações conseguida nas últimas semanas. A sua recomendação é clara: que o investidor “mantenha as suas expectativas a longo prazo” (depois de 2021) já que, ainda que considere que “o achatamento da curva de contágio é uma condição necessária para estabilizar a economia global, não é suficiente” para deixar para trás as quedas económicas. “O dano económico do surto vai estender-se por vários trimestres depois de se conseguir a contenção do vírus”, aponta.

Irene Lauro, economista da Schroders, também considera que apesar de serem muitas as empresas que já anunciaram profit warnings como consequência do Covid-19, ainda podem haver surpresas negativas nos resultados empresariais, mas tendo em conta que esses profit warnings ainda não passaram para as estimativas de EPS (Earnings per Share). “As estimativas para o crescimento de EPS do S&P 500 mantêm-se entre os 10% e os 14% para este ano. Não obstante, acreditamos que é muito provável que aconteça uma nova descida dos lucros empresariais, dado o impacto da pandemia do coronavírus”.

Nesta mesma linha posicionam-se também os gestores que participam no inquérito mensal que elabora a Bofa Merrill Lynch. Segundo o mais recente, publicado esta semana, metade dos inquiridos considera que os lucros empresariais se vão deteriorar nos próximos 12 meses.

Este trimestre será pior que o primeiro

De facto, segundo os dados da Factset, os analistas esperam quedas trimestrais dos lucros das empresas do S&P500 não só neste primeiro trimestre mas também nos próximos dois. Em concreto, no fecho do mês de março,  estimavam uma queda média de 5,2% no primeiro trimestre, de 10% no segundo e de 1,1% no terceiro trimestre. “As expectativas de crescimento dos lucros para o ano 2020 caíram nos últimos meses. A 30 de setembro, a taxa de crescimento dos lucros estimada para 2020 era de 10,4%. A 31 de dezembro, a taxa de crescimento dos lucros estimada tinha caído para 9,2%. Atualmente, a diminuição dos lucros estimada é de -1,2%”, afirma Jonh Butters, analista sénior da Factset.

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Não obstante, segundo a informação que compilou este provedor de dados dos analistas, a queda de lucros não se deixará de sentir da mesma forma em todos os sectores já que dos 11 sectores que analisam, mais de metade conseguirá, segundo as suas estimativas atuais, lucros positivos em 2020.

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