Começa a campanha de resultados do COVID-19: como impactou os mercados?


A semana que acabou de começar vem carregada de acontecimento que podem influenciar de forma considerável no comportamento dos mercados a curto prazo. Na Europa têm lugar dois acontecimentos importantes, pelos quais esperam ansiosamente todos os investidores: a reunião do BCE e, sobretudo, a que vão ter os chefes de Estado relativamente ao Fundo de Recuperação Europeia. Nos EUA o protagonismo fica na evolução da pandemia, no início da campanha de resultados correspondentes ao segundo trimestre do ano, quando se implementaram as medidas de confinamento mais duras em boa parte do mundo, e que se espera que seja um dos piores da história.

De facto, segundo dados da FactSet, é previsível que em média as quedas de lucros alcancem os 40% no segundo trimestre do ano. “Se o S&P 500 reportar uma diminuição interanual dos lucros de 41,0%, será a maior diminuição reportados pelo índice desde o quatro trimestre de 2008 (69,1%), apontam da plataforma.

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Quer isto dizer que haverá correção nos mercados? Depende do que já estiver previsto e refletido nos preços e, sobretudo, depende da mensagem que transmitiam as empresas quanto às suas perspetivas para o que resta do ano. “A temporada de lucros do segundo trimestre dos EUA será débil, mas isto não será uma surpresa e, portanto, não deverá mover os mercados. O foco estará na orientação corporativa para o segundo semestre e aqui esperamos algumas melhoras graduais, que deverão apoiar os mercados de valores”, afirma Patrick Lagn, responsável de Research em ações da Julius Baer. De facto, estas perspetivas são as que estarão por trás da forma pela qual se desenvolve a recuperação económica.

Não obstante, esse guia que deixem antever as empresas não é a única coisa que determinará a reação dos investidores nesta segunda quinzena de julho. Também será importante conhecer como vai evoluir a pandemia nos EUA ao mesmo tempo que cresce a volatilidade perante a proximidade das eleições presidenciais que se celebram nos EUA no mês de novembro e a possibilidade de que Trump perca as eleições a favor de Joe Biden. “O cenário mais provável e que os mercados estão a prever atualmente, é uma vitória de Biden sem maioria absoluta. Este cenário não é negativo para as ações, mas neutro. Contudo, isto deixa Biden com pouca margem de manobra. Mesmo que os democratas arrasem nas eleições presidenciais dos EUA, ainda fica por ver quantas mudanças nos impostos corporativos serão implementadas. É preciso ter em conta que o programa de Biden foi concebido antes do COVID-19 e, dado o atual contexto, económico, é provável que se dê prioridade à recuperação empresarial e ao crescimento do emprego”, afirma François Rimeu, estratega sénior da La Française AM.

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