CMVM: “O forte crescimento dos preços do imobiliário em Portugal suscita questões relativas à sua sustentabilidade”


Tema recorrente em Portugal tem sido a dinâmica do mercado imobiliário. E a importância desta dinâmica na economia nacional não escapa à atenção do regulador dos mercados financeiros. Neste sentido, a CMVM, no Relatório Anual Sobre os Mercados de Valores Mobiliários de 2017 destaca o “aumento pronunciado dos preços (+8,6% e +7,5% em termos nominais e reais, respetivamente), na continuação de uma tendência iniciada em 2012, ano em que o índice de preços do imobiliário atingiu o valor mínimo das duas últimas décadas”. Destaca-se também no relatório a nota de que esta evolução acompanha a tendência evidenciada na Zona Euro e na OCDE, embora de forma bastante mais pronunciada. Nestas regiões vericou-se, segundo o relatório, um aumento nominal de 3,2% (2,3% em termos reais) e de 3,9% (2,7% em termos reais), respetivamente.

Evolução sustentável?

A CMVM deixa evidente que o forte crescimento dos preços do imobiliário em Portugal “suscita questões relativas à sua sustentabilidade”. De facto, a entidade supervisora dos mercados financeiros destaca que, desde 2014, o preço dos imóveis, em percentagem da renda implícita que lhes está associada, apresenta uma trajetória ascendente e mais pronunciada do que a vericada na Zona Euro e mesmo no conjunto dos países da OCDE. Também os preços dos imóveis em percentagem do rendimento per capita aumentam em Portugal desde 2012, aumento que foi mais pronunciado no último ano e superior ao vericado naquelas zonas.

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“O crescimento dos preços do imobiliário terá decorrido parcialmente da política monetária acomodatícia e de juros reduzidos na Zona Euro, que levaram à existência de liquidez abundante na economia. Perante a relativa escassez de emissão de novos ativos, o aumento da procura contribuiu para o aumento de preço de ativos existentes. Sem prejuízo disso, e dado o diferencial de valorização dos imóveis em Portugal e na Zona Euro, o crescente interesse de investidores internacionais também ajuda a explicar esta evolução”, justifica a CMVM.

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