Clientes institucionais vs retalho: Como se posiciona Portugal na Europa?


Patente no relatório Asset Management in Europe – Facts and Figures de setembro de 2019 da EFAMA (European Fund and Asset Management Association) está a evolução e desagregação do tipo de cliente – retalho ou institucional – da gestão de ativos europeia. A leitura mais recente da Associação, datada do final de 2017, mostra que em média os AuM distribuem-se em 30% do retalho e 70% de clientes institucionais, sendo que principalmente são Fundos de Pensões e Seguradoras. Este elevado peso institucional é explicado pela EFAMA pelo facto de as seguradoras e fundos de pensões deterem uma parte significativa dos ativos financeiros nos seus balanços, embora a gestão seja frequentemente mandatada a gestores de ativos externos.

Sobre a evolução histórica, a Associação faz dois comentários. “Primeiro, o peso dos clientes de retalho cresceu nos anos mais recentes, provavelmente em resultado das taxas de juro muito baixas oferecidas pelos depósitos bancários, bem como do regresso da confiança dos investidores nos instrumentos do mercado de capitais. No entanto, o peso dos investidores de retalho manteve-se abaixo dos valores de antes da crise financeira global. Em segundo lugar, o peso dos fundos de pensões e companhias de seguros evoluíram em direções opostas, com o peso dos fundos de pensões a subir e das seguradoras em declínio progressivo. Os fundos de pensões beneficiaram em muito maior medida da forte performance dos mercados de ações, porque as suas posições de equity na alocação de ativos são superiores do que a alocação das companhias seguradoras, em virtude das regras de Solvência II”. Segundo a Associação, o crescimento do peso dos fundos de pensões na média europeia beneficiou do forte crescimento do setor de fundos de pensões britânico que, desde 2012, usufrui da inclusão automática em planos de pensões profissionais. Salientam, por fim, alguns casos em que as entidades seguradoras resolveram internalizar a gestão de carteiras de dívida pública no sentido de reduzir custos.

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Portugal e a média europeia

Neste contexto de análise Portugal posiciona-se praticamente com a mesma leitura do Reino Unido na distribuição de ativos entre clientes institucionais e de retalho. Os primeiros agregam 76% dos ativos, número que apenas é superado pelo já referido Reino Unido, com 79%. No extremo oposto surge a Espanha com 84% dos ativos em fundos de investimento.

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A Associação alerta a este nível para os pormenores locais que poderão impactar as diferentes leituras, nomeadamente o papel dos produtos de seguros na poupança para a reforma, a estrutura dos sistemas nacionais de pensões, o papel dos bancos na distribuição de produtos de investimento de retalho e as atividades cross-border de gestores de ativos e a sua capacidade para atrair capital de investidores estrangeiros.

Outros gráficos do relatório mostram que Portugal se posiciona num ponto intermédio no que toca ao peso dos investidores de retalho nos fundos de investimento nacionais (84%) enquanto nos mandatos de gestão discricionária, Portugal é o segundo país com mais ativos de clientes institucionais (87%).

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Por fim, em percentagem dos AuM totais de clientes domésticos, Portugal encontra-se entre grande parte dos países considerados na análise – perto dos 100% - mas longe da média europeia que é impactada significativamente pelos números do Reino Unido e da Dinamarca.

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