Cinco perguntas e respostas sobre o investimento em factores


“Há cada vez mais ferramentas disponíveis para investir em gestão passiva, mas podem criar o risco de que o investidor se exponha demasiado a apenas uma fonte de risco. O investimento por fatores ajuda a separar os riscos que os investidores não querem em carteira”, afirma Pawel Janus, responsável da Passive & ETF Investment Analytics na UBS AM.

O especialista explicou a filosofia da empresa relativamente ao investimento por factores com ETF, tentando dar resposta a algumas das perguntas que os clientes apresentam com maior frequência.

Qual o tamanho deste mercado?

O mercado destaca a importância crescente deste segmento nos últimos dez anos: em 2004 começou-se a falar de value e de growth como estilos de investimento, mas é apenas em 2008 que se começa a observar o aparecimento dos ETF de ações smart beta, numa proporção mínima em relação aos ETF de ações com critérios de capitalização (que somavam um património de 535.700 milhões de dólares naquele momento).

De acordo com dados de fevereiro de 2018, os ETF factoriais e de smart beta somam um património de 670.000 milhões de dólares, contra os 3 biliões dos ETF baseados em critérios de capitalização. Isto implica, segundo cálculos fornecidos pelo especialista, que os ETF factoriais registaram uma taxa de crescimento anual composto por 30% a dez anos, contra 19% em que os ETF tradicionais cresceram no mesmo espaço de tempo.

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Janus explica que “a maior parte do dinheiro se dirigiu a factores individuais”, em vez de se dirigir a produtos multifator. Neste sentido, uma das estratégias com maior procura foi a de ETF que oferecem exposição ao factor momentum, que representam 27% do património total nesta classe de instrumentos. Seguem-lhes o factor value e o factor growth, com 18% e 15% do património, respetivamente.

É difícil investir através de factores?

Segundo Janus, os factores oferecem aos investidores o melhor da gestão ativa, baseada no alfa e o melhor da gestão passiva, que aposta no beta do mercado. Se a primeira depende das capacidades do gestor, com fundos que têm uma capacidade limitada e, segundo o especialista, que oferecem “menos transparência e mais custos”, as estratégias baseadas em beta oferecem mais transparência, eficiência de custo, maior capacidade e uma abordagem baseada em normas. O resultado da fusão de ambas numa abordagem que oferece uma exposição dedicada aos seis factores principais que a empresa distingue: value, quality, dividend, volatility, momentum e size, discriminando entre os valores com melhor e pior pontuação de cada índice.

“Só porque o mercado é grande e está a crescer, não quer dizer que vá ser mais complexo”, explica Janus, embora esclareça que “para os investidores menos sofisticados, em termos de implementação tendem a mostrar preferência pelas estratégias multifator”.

Os factores cumprem os seus objetivos?

Os investidores não devem perder a perspetiva no momento de seleção de um factor ou outro. “Os factores proporcionam exposição a certas características de um valor, por isso os factores são diferentes”, recorda o responsável. Este insiste que “as diferenças entre factores podem ser essenciais, porque incidem sobre parâmetros de investimento diferentes”. Por exemplo, o PER é a medida padrão que se tem como referência para determinar se um valor reúne características value, ao determinar se está undervaluead em relação ao seu valor intrínseco e representa, assim, uma oportunidade para o descobrimento de preços.

Da mesma forma, o fator dividend seleciona aqueles valores que devolvem maior rendimento aos seus acionistas sob a forma de pagamento de remunerações ou através de programas de recompras de ações, enquanto o factor quality se centra nas empresas com modelos de negócio e fontes de receitas duradouras e sustentáveis ao longo de diversos ciclos económicos. O factor volatility seleciona aquelas ações cujos preços se mantêm mais estáveis, para reduzir o nível geral de risco das carteiras, enquanto que o factor momentum vai acrescentando aquelas empresas cuja cotação apresente uma tendência de subida, e o factor size investe em empresas de pequena capitalização, mas que apresentem dinâmicas de crescimento rápido das receitas que lhes permita aumentar a sua capitalização.

 Tendo isto tudo em conta, Janus resume que os factores “não foram otimizados para gerar alfa, mas sim para proporcionar exposição a certas características que foram capazes de gerar um rendimento superior”. Assim, o especialista afirma que “os factores, individualmente, podem bater o mercado todo”, embora nem todos e nem sempre. Apresenta um gráfico em que se pode observar que o factor dividend conseguiu superar o MSCI USA em 30% na sua média de longo prazo e o mesmo fez o factor quality. No entanto, o gráfico também reflete que os resultados do factor value e o factor volatility não foram tão eficazes.

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Os factores podem superar em rendimento as carteiras por capitalização?

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Segundo dados da UBS, os factores demonstraram de forma mais evidente a sua eficácia a longo prazo face a longo prazo. Tal é particularmente evidente para os que oferecem exposição a valores europeus: “O rendimento dos factores aplicados à Europa é ligeiramente superior ao dos EUA, porque este é um mercado mais homogéneo e eficiente, enquanto que a Europa apresenta maior dispersão e menor eficiência”, esclarece Janus.

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As estratégias por factores são todas iguais?

A resposta curta é “não”. A resposta longa Pawel Janus providencia-a: “Todas as estratégias podem ser muito diferentes, embora invistam nos mesmo. O importante é focar-se na estrutura do índice, perceber o funcionamento do factor em diferentes fases do ciclo e fazer, consequentemente, uma boa previsão e alocação de ativos”.

Como exemplo desta dispersão refere o do factor dividend, depois de descobrir na UBS AM que os ETF “tradicionais” com exposição a esta temática “estavam a ignorar a engenharia financeira realizada por muitas empresas, mediante a recompra de ações ou emissão de dívida com a que financia a recompra de ações, facto que não têm nada que ver com o factor dividend”. Segundo Janus, “se se ignora a recompra de ações, corre-se o risco de ignorar oportunidades em alguns sectores” (ver gráfico).

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