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Cinco conselhos para ajudar os descendentes a gerir a sua herança


Um em cada três norte-americanos que recebe uma herança acaba por gastá-la num período de dois anos. Este dado surpreendente é resultado de um estudo realizado na Universidade de Ohio pelo economista e analista científico Jay Zagorsky. Outra sondagem com resultados um pouco menos interessantes, conduzida pela CNBC, concluiu que mais de 40% dos pais norte-americanos que têm um património composto por um milhão de dólares ou mais em ativos investíveis não falam com os seus filhos sobre a herança. “Há alguns pais mais relutantes, a quem lhes preocupa que os filhos se sintam capacitados e menos motivados para obter essa herança. A outros, preocupa-lhes que o filho dependa de uma herança que possa, de facto, não se materializar. Mas não falar sobre a herança pode criar riscos”, avisam os especialistas em preparação para a reforma, da Capital Group.

Em concreto, a empresa baseia-se na experiência norte-americana para afirmar que “revelar pelo menos alguns detalhes” sobre a herança seria positivo para os futuros herdeiros, ao permitir-lhes “planear com tempo e tomar decisões financeiras informadas”. Portanto, apontam cinco conselhos úteis para aqueles pais que estejam a pensar em dar esse passo e falar com os seus filhos sobre o futuro.

#1 Missão e visão da família

Sobre esta epígrafe aparentemente tão solene, o Capital Group refere-se a preparar o cenário: “Antes de começar a conversa, pense nos valores financeiros que são mais importantes para si. Quer que os seus filhos sejam caridosos? Autossuficientes? A educação é uma prioridade? Ou seja, aconselham a que se faça uma lista com esses valores e que a partilhe com os seus filhos.

Da gestora também recomendam que “fale sobre a sua própria vida e os fatores que o levaram a ter o seu próprio património, como o trabalho duro, gastos disciplinados ou investimentos saudáveis”. Acreditam que estas mensagens são importantes já que podem “ajudar a geração seguinte a entender que a herança não foi uma questão de sorte e que lhes é confiada para que a administrem com responsabilidade".

#2 Leve as coisas com calma

Claro que uma conversa nem sempre é suficiente. Na verdade, da gestora recomendam ter algumas conversas que girem em torno da herança com os filhos: “Isto permite-lhe ir revelando informação ao longo do tempo, tendo em conta em que fase está cada filho e o seu nível de experiência em gestão de património”.

Para aqueles casos onde o conteúdo da herança seja complexo, porque inclui vários tipos de ativos, por exemplo, os especialistas recomendam despender algum tempo para ir cimentado a educação financeira nos filhos. Citam um truque usado por Erika Safran, fundadora da Safran Wealth Advisors, consistente com revisões periódicas: “Os pais deveriam usar o seu bom senso e partilhar informação que coincida com o grau de responsabilidade e maturidade dos seus filhos”.

#3 Explicar as decisões tomadas

Este passo é importante porque “pode ajudar a evitar confusão e controvérsia” entre a família. Colocam o seguinte exemplo: “Pode acontecer que tenha razões para que um dos seus filhos herde mais do que os outros. Pode ter criado uma maior confiança que é paga ao longo do tempo para evitar que o filho menos maduro desperdice a sua herança. Os seus filhos devem ser capazes de aceitar estas difíceis decisões se lhes explicar o seu raciocínio”. Desta forma, assegura-se o entendimento e compreensão em vez de fazer com que alguns dos herdeiros fiquem ressentidos por não compreenderem o motivo destas decisões.

#4 Ouça os seus filhos

Na gestora, esclarecem que a comunicação não pode ser apenas numa direção, deve procurar-se um intercâmbio de pareceres com os filhos, “deixar que façam perguntas e comuniquem os seus próprios desejos”. Os especialistas aconselham a “manter um tom positivo que ajude a verbalizar o que tem em mente”. Trata-se por exemplo de evitar frases como “não arruínes o meu trabalho” e fornecer outras mensagens mais positivas, como “queremos que este dinheiro sirva para ti e para os teus filhos”.

#5 Introduza um profissional na conversa

Da Capital Group sugerem recorrer aos conselhos de um assessor financeiro, um contabilista ou um fiscalista quando se considere necessário. Acreditam que, graças à informação que detêm estes profissionais, “os seus filhos e você próprio poderá avaliar cuidadosamente as decisões tomadas”, assim como responder às perguntas feitas pelos membros da família.

Os especialistas consideram que aqueles que mais podem beneficiar de uma reunião com um assessor financeiro são os adolescentes da família, já que “podem preparar-se para os desafios emocionais e financeiros derivados da gestão da riqueza futura”.

Em qualquer caso, os especialistas resumem todos os conselhos em um só: “O importante é começar a conversa sobre a herança e continuar a falar. É uma forma de ajudar a assegurar-se que o seu legado continua vivo através das gerações futuras”.

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