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Cinco coisas importantes que estão a acontecer na indústria europeia de gestão de ativos


2017 ficará na história como um ano record para a industria europeia de gestão de ativos. No entanto, para além do forte crescimento patrimonial vivido pelo setor, é importante destacar algumas tendências muito interessantes que se têm produzido durante os últimos 12 meses que – segundo explicam Diana Mackay, CEO da MackayWilliams, Chris Chancellor, sócio na consultora, e Mark McFee, editor financeiro da empresa britânica – convém ter em conta se se quer estar consciente do que está a acontecer na indústria europeia. A primeira ideia importante é que, apesar da subida das taxas que se antecipava no início de 2016 no mercado de obrigações, as entradas em fundos de obrigações, longe de diminuir, acelerou até ao ponto de se alcançarem níveis record.

Se analisarmos os fluxos registados nos últimos cinco anos, pode-se observar que os fundos de obrigações registaram 923.000 milhões de euros em captações líquidas na Europa, os mistos de 683.000 milhões e os de ações de 340.000 milhões. “O envelhecimento da população, que faz com que o investidor se torne mais conservador, e a competição criada pelos fundos de high yield ou obrigações emergentes explicam em boa medida as menores captações dos fundos de ações. O cenário para os produtos de ações é ainda pior se tivermos em conta apenas os fluxos de fundos de gestão ativa, onde as captações líquidas nos últimos cinco anos apenas alcançaram os 68.000 milhões, face aos 764.000 dos fundos de obrigações e os 702.000 dos multiativos”, destaca Chancellor.

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A segunda ideia que deve ser tida em conta é que em 2017 se produziu uma importante alteração de tendência no que respeita à forma como a indústria engordou. Geralmente, o comportamento do mercado explica a maior parte do crescimento do setor. Desde 2012 que tem sido assim. 2017, em contrapartida, foi um ano muito diferente. “As entradas líquidas corresponderam a 71% do crescimento na indústria europeia. Isto é uma reversão da norma que, quem sabe, aponta para um sobreaquecimento do mercado. Indica claramente que há dinheiro quente, dinheiro novo procedente de muitos investidores que podem sair do mercado tão rápido como entraram. É algo a que convém estar muito atento no futuro”, assinala Chancellor.

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A terceira tendência apontada por Diana Mackay é que “quando o rio baixa rapidamente em termos de ativos para a indústria, as grandes casas são as que tendem a levar a maior parte do dinheiro. O que vimos no ano passado foi que as cinco maiores gestoras de fundos, que representam 19% dos ativos sob gestão da indústria europeia, ficaram com 28% das entradas líquidas registadas pelo setor no ano. Há vencedores muito claros. BlackRock e PIMCO foram em 2017 as mais beneficiadas”. Mas... isto significa que o fenómeno de concentração se mantém? Pois… o certo é que não. De facto, em 2017 a concentração foi menor que no ano anterior. BlackRock e PIMCO aglutinaram em 2017 22% das captações na Europa, face a 27% que foram absorvidos pelas gestoras que mais captaram em 2016. A média dos últimos seis anos está nos 21%.

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59% das gestoras de ativos registaram no ano passado entradas líquidas de dinheiro, o que demonstra que o ditado que diz que o vencedor leva tudo está longe de cumprir-se. Pelo menos, no que diz respeito à gestão ativa, onde as dez entidades que mais captações líquidas englobaram representavam 41,4% do total. Se se incorporar a análise das entradas líquidas totais registadas pelas dez principais empresas, a percentagem chega aos 46%. “A tendência de concentração é um fenómeno que se limita à indústria de gestão passiva, onde a BlackRock é o ator dominante a nível europeu”, indicam a partir da empresa. Isto situa a gestora americana no primeiro lugar do ranking das gestoras por entradas líquidas em 2017, com 13,4% do total. Se se tiver em conta apenas o captado pela gestão ativa, esse ponto corresponde à PIMCO (11,8%), caindo a BlackRock para quinto lugar.

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O que deve fazer uma gestora para ter êxito em 2018? Segundo explicam a partir da consultora, uma opção é ser grande, com o objetivo de se converter num ator global. “Neste ambiente, a atividade de fusões e aquisições no setor é muito provável que continue”, assinala Mackay. No entanto, a CEO da MackayWilliams reconhece que este não é o único caminho possível. Também sendo pequeno se pode ter êxito: “As entidades de menor tamanho estão a conseguir ter sucesso através de três vias: inovação de produto, melhoramento dos seus modelos de serviço e reforço da sua marca”, revela. A última fórmula para alcançar o sucesso na indústria de gestão de ativos que assinala Diana Mackay é que manter o cliente cativado é algo que só podem fazer com maior eficácia aquelas gestoras pertencentes a entidades financeiras.

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