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China: "Todos os motores da economia perderam força"


Palavras de um economista do Commerzbank em Singapura e que ecoaram um pouco por todo o mundo. Anteriormente conhecida como a fábrica do mundo, o gigante Asiático modificou o seu modelo económico e debate-se agora com problemas de vária índole. Se até 2010 o crescimento era de perto de 10% ao ano, a partir daí a estratégia de desenvolvimento económico modificou-se.

Apesar de manter sempre crescimentos assinaláveis, o ritmo é agora inferior e menos dependente do evoluir da economia global. As autoridades chinesas deixaram bem claro que desejam expandir o seu imenso mercado interno e ficar menos dependente do comportamento das outras economias. A desaceleração económica global reduziu o apetite por produtos chineses e o foco agora é o consumo interno. Esta mudança não significa que a China se fechou ao mundo exterior, mas é certo que modificou o seu modelo de interação com o resto do mundo.

O abrandamento do crescimento da economia Chinesa já não preocupa tanto como há uns anos atrás, mas é sintomático do que se passa um pouco por todo o lado e lança ainda mais dúvidas sobre a capacidade dos governos e Bancos Centrais de promoverem o crescimento.

Sendo tradicionalmente uma economia assente na exportação, a mudança de modelo torna a China como o segundo maior importador do mundo. O crescimento mais moderado tem impacto um pouco por todo o lado, com particular destaque para o seu papel como destino dos produtos produzidos em países como África do Sul, Brasil, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia.

Este desaceleramento da economia chinesa é somente um dos riscos com que se debate a economia global, que tem sido fustigada com problemas que tardam em ser resolvidos. E se os baixos preços do petróleo poderiam ser uma esperança para apoiar a retoma das economias avançadas, a chegada do preço do barril do petróleo ao patamar dos 50 Dólares faz aumentar o cepticismo sobre a evolução da situação.

A reunião do G7 que terá lugar este fim de semana na cidade de Toyama no Japão irá focar além dos temas ambientais que visam o cumprimento dos compromissos assumidos no Acordo de Paris, a situação da economia global e do comportamento do mercado financeiro. Se temos vivido momentos relativamente calmos nos últimos meses, esse cenário pode ser alterado a qualquer altura por via da mudança do sentimento em relação à capacidade da China de fazer com que sua economia tenha um abrandamento gradual e pelas evidências de que os EUA continuam a sua recuperação.

As políticas monetárias seguidas não estão a ter o efeito desejado e na reunião do G7 será interessante reparar na abordagem Japonesa.

Como não podia deixar de ser, em plena guerra de divisas, um dos temas mais quentes da reunião irá ser a política de cada um em matéria de divisas. Depois de tantos avisos feitos à China para não desvalorizar o Yuan, evitando assim um acréscimo de competitividade por essa via, o Japão irá defender o seu direito a intervir no mercado de divisas caso considere que existe demasiada volatilidade.
Apesar da legitimidade da sua posição (o Yene valorizou desde janeiro perto de 10%, colocando ainda mais entraves aos seus exportadores) o debate irá ser intenso, com os Estados Unidos, como sempre, a defenderem o seu papel de defensores da "ordem global". Grandes e variados são os desafios que o crescimento lento coloca, o desconforto da polução leva ao crescimento de cada vez mais vozes contraditórias que se unem em partidos contrários ao status quo vigente.

A menos que algo de muito relevante em termos globais, como uma guerra, o futuro próximo irá dar-nos mais do mesmo e não nos podemos esquecer dos danos colaterais das taxas de juros negativas.

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