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China supera a guerra comercial como o maior risco para os gestores de fundos


O inquérito a gestores de fundos que todos os meses o Bank of America Merrill Lynch publica tornou-se numa boa amostra para identificar o sentimento que os gestores de fundos demonstram. Este sentimento há meses que se apresenta pessimista apesar do bom arranque que tiveram tanto os mercados de obrigações como os de ações em 2019.

O pessimismo vê-se no facto de que apenas 3% dos gestores sobreponderam as ações nas suas carteiras, três pontos a menos do que em fevereiro e um nível mínimo desde setembro de 2016, do que se pode deduzir que são muitos os que aproveitaram o rally de princípios de anos que protagonizou o mercado de ações para realizar mais-valias.

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Identificando os mercados de ações que os gestores continuam a considerar que apresentam potencial, os emergentes continuam a ser os que mais furor fazem, já que a percentagem de profissionais que sobrepondera estes títulos nas suas carteiras é de 40%, o número mais alto desde abril de 2018, enquanto as piores notas vão para as ações do Reino Unido e da Europa. Além disso, o investimento em baixa no Velho Continente tornou-se na operação em que mais gestores coincidem.

Contudo, destaca-se a região emergente onde têm a maior sobreponderação nas suas carteiras, tendo em conta que os grandes riscos que veem no mercado são uma desaceleração da economia chinesa, que entra no primeiro lugar da lista diretamente, e a guerra comercial que em fevereiro era o maior risco e agora foi relegado para a segunda posição.

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Isto, não só preocupa o abrandamento do gigante asiático mas também o efeito que essa sincronizada desaceleração económica mundial tenha nos lucros empresariais. De facto, 59% dos gestores mostram-se negativos tanto no que se refere aos crescimento económico como no que diz respeito à expectativa de inflação para a economia global durante os próximos doze meses “prevendo o regresso da estagnação secular”, referem no inquérito.

Em que ativos os gestores melhoram a sua percepção?

A alocação a ações não foi a única que caiu este mês. Também aconteceu o mesmo com a sobreponderação ao mercado de obrigações e até com a liquidez. Relativamente às obrigações, o número de gestores que sub-pondera nas suas carteiras cresceu até níveis de 38% e quanto ao cash, os profissionais que o sobreponderam retrocederam de 44 para 40%.

Pelo contrário, os ativos que ganharam peso nas carteiras foram o imobiliário, onde 6% dos gestores sobrepondera, cinco pontos mais do que no mês passado, assim como matérias primas, cuja subponderação caiu para níveis de 2%.

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