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China demonstra que ficar em casa funciona: diminuíram os casos de COVID-19 e os mercados melhoram


Na passada sexta-feira foi declarado em Portugal o estado de alerta, o que implica a tomada de medidas preventivas com um objetivo claro: aplanar a curva de infetados com o coronavírus. Aconteceu num momento em que os casos em Portugal começavam a aumentar exponencialmente o que, se assim continuar, poderá vir a pôr em perigo a atenção médica que recebem os infetados pelo vírus que estão hospitalizados. Os apelos a que a população fique em casa e evite contacto social servem para que haja menos infetados para que quem realmente necessita de atenção médica a possa receber.

O aumento dos casos de coronavírus não só em Portugal, mas por todo o mundo tem gerado muita incerteza nos mercados financeiros já que nos últimos dias se viram quedas nos principais índices acionistas, algumas delas marcando níveis recorde. Além disso, ao contrário do que aconteceu noutras crises, nesta não parece que as medidas tomadas pelos bancos centrais sejam suficientes. Serão necessárias medidas de carácter político para aplanar a curva de contágios e conseguir reduzir ao máximo o impacto económico.

Os próximos dias não serão fáceis, nem para os cidadãos nem para os investidores, mas talvez para levantar um pouco a moral ajude saber a evolução do coronavírus no país onde o primeiro caso foi conhecido, no final de dezembro, a China. Tanto ao nível da saúde como ao nível dos mercados financeiros, chegam boas notícias de ambas as frentes.

Bryan Collins, responsável de obrigações asiáticas da Fidelity, recorda algumas dessas boas notícias num post intitulado “China volta ao trabalho”. Por exemplo, a melhoria nos dados de consumo de carvão, que já ascendeu a mais 500.000 toneladas por dia, mais 100.000 do que em fevereiro; a recuperação do transporte e a logística após o regresso ao trabalho dos cidadãos ou a leve recuperação das vendas de casas. Leves passos em direção ao futuro que se conheceram no início da semana, mas que indicam que sim, que este vírus também pode ser vencido pouco a pouco com uma só arma: ficar em casa.

“Hoje em dia, a China parece estar em melhor posição do que em muitos países ocidentais para deixar para trás o golpe económico desferido pela pandemia internacional, de acordo com o último indicador de sentimento trimestral da Fidelty. Esta sondagem revela que 85% dos nossos analistas na China espera que problema do vírus diminua antes do segundo semestre, face a uma média de 48% entre todos os analistas do mundo. Também se considera que os lucros das empresas chinesas se encontrem entre os menos afetados pelo surto”, afirma Collins.

Também na Allianz GI defendem uma melhoria do sentimento: “Na China, assim como cada vez mais na Coreia do Sul começa-se a ver a luz ao fundo do túnel graças às contundentes medidas adotadas. As cadeias de produção reativaram-se e a vida pública, por exemplo, em restaurantes vai voltando a ganhar vida. Outro elemento positivo é que todos os sinais de euforia e despreocupação nos mercados desapareceram. Como gestores ativos, agora procuramos empresas que possam superar bem a crise e evitamos investir nas firmas com um elevado endividamento”.

E não é para menos se se tiver em consideração que, enquanto os casos estão em ascensão em muitos países ocidentais, na China os novos casos foram reduzidos ao mínimo (a 12 de março caíram para oito casos por dia), por isso, foi autorizada a visita do primeiro-ministro chinês ao epicentro do vírus, Wuhan, na semana passada. Embora nos dias seguintes o número de casos tenha aumentado novamente, a maioria é importada de outros países.

Além disso, embora haja agora muitos investidores nervosos com as pesadas perdas que a sua carteira sofreu nas últimas semanas devido ao coronavírus, a China também mostrou que o progresso na luta da população para vencer essa pandemia também negoceia na bolsa. De facto, no último mês em que índices como o Dax ou o Dow Jones caíram entre 20 e 30%, o CSI 300 da China caiu 9%. Segundo publica a J.P. Morgan AM no seu blog Market Insights, no mês de fevereiro, a bolsa chinesa foi a que melhor comportamento experienciou à medida que os investidores começaram a concentrarem-se mais no que estava a acontecer fora da China do que dentro. "De uma perspetiva regional, as ações de mercados emergentes superaram os mercados desenvolvidos, apesar do facto de a maioria das infeções por COVID-19 estarem atualmente localizadas na Ásia, uma vez que os investidores tiveram em conta o declínio nas taxas de novas infeções na China em comparação com o aumento dessas doenças fora do país", afirmam.

Gráfico 2: Rentabilidade dos mercados de ações a nível global

jpm

Fonte: J.P. Morgan AM. Dados de 29 de fevereiro de 2020.

Essa redução das quedas verificada nos mercados emergentes, sobretudo no mercado chinês, tornou-se até em lucros no caso dos fundos que investem nele. Assim o afirmava Fernando Luque, editor da Morningstar, num artigo onde comparava o desempenho de diferentes categorias de fundos em fevereiro. “O mês de fevereiro certamente foi um mês nefasto para a grande maioria dos fundos de ações, devido à disseminação do coronavírus. No entanto, os fundos de ações chinesas, a origem da epidemia, conseguiram, em média, subir 1,4% em euros ao longo do mês. Até dia 6 de março, a categoria permaneceu bastante estável”, afirma.

 

CATEGORIAS MORNINGSTAR MAIS RENTÁVEIS EM FEVEREIRO DE 2020  
Categoria  Ret. março Ret. 1 mês Ret. no ano Ret. 1 ano Ret. 3 anos
RF Diversificada Dólar -1.3 1.8 4.5 12.8 2.6
Ações China 0 1.4 -0.8 9.2 7.1
RF Pública Euro 0.5 0.2 2 6.3 2.5
RF Diversificada Euro 0.2 -0.1 1 4.4 1.5
RF Emergente -1.8 -0.2 1.9 10.6 2.7
RF Corporativa Euro 0 -0.4 0.5 4.4 1.9
RF Sector Biotecnologia 1.6 -1 -3.1 4 3.3
RF High Yield Euro -0.8 -1.6 -1.5 3.6 1.9
Matérias-primas - Diversificado -1.5 -4.2 -9.5 -8.7 -5.1
Ações Ásia Pacífico exc. Japão -1.3 -4.3 -6.4 2.9 4
Fonte: Morningstar Direct          

 

 

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