China: como evitar o peso do elefante no índice de mercados emergentes


Em sinal de reconhecimento da melhoria da acessibilidade global aos mercados chineses de ações da China continental, desde o dia 1 de junho, o índice MSCI incluiu ações chinesas classe A (A-Shares) no seu índice de mercados emergentes. Com base nas estimativas do MSCI, começaram a comparar-se com estes índices cerca de 1,6 biliões de ativos em investimentos ativos e passivos. A inclusão de tais ativos no índice implica a compra de ações classe A por parte dos investidores passivos. Além disso, irá incitar os investidores ativos sem exposição a ações classe A a inclui-las nas suas carteiras.

Roçando os 30,5% do peso de toda a capitalização bolsista do índice, a China já representava a maior percentagem do índice antes da sua inclusão no mesmo. Consequentemente, a inclusão das ações classe A chinesas favorece a presença da China no índice, passando, assim, de uma mera representação para um verdadeiro mamute no índice.

O impacto direto da inclusão das ações classe A chinesas não deverá revestir grandes implicações. A inclusão representou um aumento do peso da China no índice ascendendo para os 0,8%. As incorporações poderão aumentar de forma considerável no futuro, se o MSCI decidisse incorporar 100% da capitalização ajustada pelo free float de certos títulos (face a 5% atuais), ou se optasse por expandir a cobertura abaixo do nível de capitalização bolsista, ou ambas as medidas. Embora seja certo que não podemos prever o ritmo das inclusões, uma vez que isto depende, em grande medida, das consultas que o MSCI está a realizar atualmente com a comunidade investidora, as alterações poderão conduzir a um aumento do peso da China no índice acima até de 40%.

China: a dimensão correta

A pergunta é… como é que os investidores podem equilibrar o aumento da concentração em ações chinesas com o universo de mercados emergentes? Deverão aceitá-lo de forma passiva ou deverão tentar atenuar o risco? A equipa da Lazard analisou os possíveis riscos e oportunidades, indicando três possíveis cenários, dos quais desfiaram as vantagens e desvantagens dos mesmos. Para a análise utilizaram três índices: o índice MSCI EM, o índice MSCI China A Large Cap Provisional Index (China A Inclusion) e um índice hipotético de países emergentes com 100% de foreign inclusion factor para ações classe A chinesas que cumpram com os critérios de inclusão (MSCI EM + China A).

Cenário base: não fazer nada

Possíveis vantagens

1. Reflete a oportunidade de investimento que o índice MSCI EM Index oferece.

2 .Não requer nenhum tipo de personalização relativamente ao índice de referência.

3 .Reduz ligeiramente a concentração setorial no índice MSCI EM.

Possíveis desvantagens

1. Aumenta repentinamente a concentração num país, de modo a que a rentabilidade e o risco do mercado chinês automaticamente passem a ter uma influência excessiva sobre as rentabilidades do índice.

Solução 1: limitar o peso da China num nível predeterminado

Possíveis vantagens

1. É uma solução direta e fácil de implementar.

2 .Reduz a concentração num país em específico.

Possíveis desvantagens

1. Pode não abordar de forma efetiva a concentração específica de ações.

2. Pode não controlar adequadamente o risco que o índice MSCI EM comporta em termos globais ou o risco que representa para a carteira do investidor.

Solução 2: Limitar o peso da China em função do risco

A fim de abordar as limitações da Solução 1 na altura de controlar o risco, é possível limitar o peso da China no índice, em função da sua contribuição para o risco. Em algumas ocasiões, a contribuição da China para a volatilidade variou muito do peso no índice com base na sua capitalização bolsista. Se se adotar um enquadramento baseado no risco este problema pode ser atenuado.

Possíveis vantagens

1. Tem em conta as características de risco na China.

2. Reduz a concentração da China no índice.

Possíveis desvantagens

1. Complexidade na implementação.

2. A limitação estabelecida em função do risco terá de se tornar a rever com um caráter recorrente.

3. É possível não abordar adequadamente a concentração em títulos de empresas em específico.

Esta solução não consegue limitar a concentração em títulos de empresas em concreto mas, na opinião dos especialistas da Lazard, a maior dificuldade que comporta é a sua complexidade. Os investidores terão que fixar um enquadramento para prever as contribuições em relação à volatilidade. Uma vez que a volatilidade e a correlação mudam constantemente, esta solução requer um controlo constante e um reequilíbrio no índice de forma recorrente.

Solução 3: Limitar a presença das denominadas mega-cap stocks no índice de referência

Esta solução aborda a problemática da concentração em títulos de empresas em concreto dentro do índice de referência que surgem da composição de alto nível da abordagem atual focada na capitalização bolsista. Não limita diretamente o peso da China no índice, mas sim a exposição do índice a mega-caps chinesas como a Tencent e a Alibaba.

Possíveis vantagens

1. Reduz a concentração em títulos específicos.

2. Reduz o peso da China.

3. Reduz a tendência dos títulos de maior magnitude.

4. Implementação fácil e simples.

Possíveis desvantagens

1. Não aborda diretamente a redução do peso da China.

2. A eficiência pode variar com o decorrer do tempo.

3. Se se aplicar títulos das mega-caps a todos, podem acabar por introduzir riscos específicos relativos aos títulos, o que é bastante indesejado.

4. A limitação às mega-caps deverá ser revista de forma recorrente.

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