Chegou a super terça-feira: Como vão negociar os resultados das primárias em Wall Street?


A crise do coronavírus trouxe de volta ao mercado a volatilidade que estava há muito tempo parada. Na semana passada houve muitas notícias relacionadas com este desconhecido vírus e nenhuma delas foi boa para os investidores com mais apetite pelo risco. De facto, as quedas dos mercados europeus superaram os 10% em apenas cinco sessões e, ao contrário de outras crises, nesta o todo poderoso mercado norte-americano também ficou pintado de vermelho.

Contudo, é nestes momentos que os especialistas pedem prudência, sobretudo aos investidores de longo prazo a quem aconselham não se deixarem levar pelos acontecimentos de curto prazo e até aproveitar estes descontos bolsistas para fazer carteira, o certo é que é complicado abstrair-se das notícias que se vão conhecendo sobre o coronavírus e o seu impacto no PIB.

Além disso, o coronavírus teve concorrência esta semana no que à atenção mediática e ao impacto no mercado se refere: a super terça-feira. Esta terça-feira, dia 3 de março, celebram-se as primárias democratas em 14 estados e apenas uns dias depois, a 17 de março, outros seis estados celebram os seus próprios comícios. “As datas mais importantes para os investidores serão o 3 de março, quando 34% de todos os delegados serão eleitos, e 17 de março, quando já estiverem eleitos 65%”, afirma Libby Cantrill, responsável de assuntos políticos da PIMCO.

Ainda que para Cantrill o principal cenário seja que é já em março que se vai conhecer o candidato/a que enfrentará Trump nas eleições de novembro, há um risco de que os democratas cheguem à convenção de julho divididos e sem um claro vencedor, “o que será muito dramático e não acontece desde 1952”. De facto, segundo Elliot Hentov, responsável de Análise Política da State Street, “o problema é que Sanders não é um construtor de coligações. Os mercados estão cientes disso e expressam-no e posicionam-no em primeiro lugar... mas isso não é suficiente. Vai necessitar do apoio dos que vão ficando para trás e se não o receber, não vão votar nele”.

Primeiro grande encontro com a volatilidade

Em todo o caso, aconteça o que acontecer, o que parece claro é que essa volatilidade que inundou o mercado devido ao coronavírus prolongue a sua estadia perante esta decisivasuper terça-feira. Segundo recordou recentemente Karen Ward, estratega chefe da J.P. Morgan para EMEA, “haverá dois momentos de volatilidade, o primeiro quando se responder à pergunta de quem enfrentará Trump e o segundo, quando se saiba o momento no qual se voltará a erguer a muralha comercial”.

À espera para ver que resultados deixa a super terça-feira, na DPAM trataram de fazer um perfil dos diferentes candidatos democratas analisando os seus programas económicos, que ao fim e ao cabo são os que vão negociar no mercado, para concluir que o impacto mais negativo poderá ser ver o triunfo de algum dos candidatos que estão mais à esquerda. “É provável que os mercados financeiros estejam particularmente atentos às possibilidades de que surja um candidato democrata progressista (Elisabeth Warren e Bernie Sanders) durante as primárias. A subida de um dos candidatos progressistas poderá ter um impacto negativo no dólar e nos sectores tecnológicos e financeiro, até nas ações dos Estados Unidos no seu conjunto”, afirmam na gestora belga.

Semelhante opinião tem Ken Taubes, diretor de investimentos dos EUA da Amundi, quem considera que “um triunfo da candidatura de Sanders constituirá o maior desafio para os mercados financeiros, dados que estes estão preocupados com os custos da sua agenda económica. O sector da saúde é o mais acessível às perspetivas de uma candidatura populista. Uma vitória de Biden será neutra para os mercados dado que não implicaria a implementação de políticas caras. Além disso, uma expansão fiscal moderada, com maiores gastos em infraestrutura, pode ser positiva, mas pode ser compensada na possível expiração da redução de impostos. O resultado mais favorável será a vitória de Bloomberg, pois a sua agenda concentra-se no investimento em educação e formação profissional, aumento de gastos em I+D e aumento no acesso à banda larga nas áreas rurais", afirma.

Isto a curto prazo. Mas, embora os especialistas falem sobre a volatilidade a curto prazo nos períodos eleitorais, eles também enfatizam que historicamente as ações dos EUA costumam ter um bom comportamento em anos eleitorais. "Uma análise retrospetiva de cada ciclo de eleições presidenciais desde 1932 demonstra que as ações dos EUA mostraram uma tendência ascendente constante após as eleições, o que compensa os investidores pacientes, independentemente de quem ocupar a Casa Branca”, dizem Joyce Gordon e Darrell Spence, gestores do Capital Group. Eles defendem que “os investidores podem esperar uma maior volatilidade do mercado neste ano eleitoral, especialmente durante a movimentada temporada de primárias. No entanto, a volatilidade relacionada com as eleições pode gerar oportunidades únicas.”

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